Desperto com uma dor de cabeça extremamente forte, tenho a impressão de possuir um alfinete atravessando meu cérebro, abro os olhos, tudo esta escuro, quieto, sem vida. Estico a mão para tentar alcançar meu celular, olho as horas e ele marca 2:30 am, será que não há um dia sequer que eu consiga dormir em paz? Reflito por um instante e concluo que não, levanto, afinal de nada adianta ficar rolando na cama, caminho até a varanda do apartamento, abro a porta de vidro, e a noite mais uma vez me domina, o tempo esta fechado, raios explodem ao longe, a noite se torna dia por alguns instantes, e, por alguns momentos sinto a raiva dentro de mim crescer, não sei bem o motivo, talvez eu sinta isso por querer ser como qualquer outra pessoa, ou talvez porque a insônia tem me consumindo a tanto tempo, que estou começando a perder o controle sobre meus sentidos, ou talvez eu esteja de mau humor apenas. Acendo um cigarro, já fiz meu trabalho, tenho apenas que receber, e chega, acho que é hora de parar e tentar achar um rumo… porem, já tentei isso tantas vezes, eu deveria desistir de tentar ir contra o mundo, talvez fosse mais fácil. Jogo o cigarro longe, não estou bem nem para fumar, caminho até a cozinha e procuro uma aspirina, encontro e a engulo de uma vez, na ilusão de que ela faça efeito. Algo não esta certo hoje, me sinto agoniado, o silencio, a noite, estou inquieto, sinto algo diferente, uma ansiedade, que cresce a cada instante, enlouqueci finalmente? Por reflexo eu me visto, meus trajes ainda estão comigo, me armo, pistolas no coldres, uzi na mão e uma agonia no peito. Minha respiração fica pesada, rápida, me sinto ofegante praticamente, me sento na cama, minhas forças estão se esvaindo, inferno, o que isso, sinto calor, muito calor, não consigo respirar mais, caminho cambaleante até a sacada, e então sinto meu corpo se incediar por dentro, sinto vontade de gritar, mas me seguro, uma neblina negra escapa por entre meus dedos, e ela queima, arde, me sento sem forças para levantar.
- Arde não é? – ouço uma voz me dizendo isso, levanto a cabeça com esforço e observo o mesmo rapaz loiro do ônibus sentado no parapeito da sacada.
- Quem é você? – pergunto com dificuldade
- Só esta começando – diz ele olhando para mim
- O que esta acontecendo comigo? – pergunto praticamente em estado de choque
- Você esta despertando, demorou, mas esta despertando – diz ele novamente, e só então meus olhos percebem que ele possue asas. Enlouqueci, será que estou sonhando, penso comigo mesmo
- Isso vai piorar, mas você vai lembrar como controlar, o pior é quando elas resolvem sair – diz ele apontando para suas asas – você sente cada músculo rasgando, cada nervo rompendo, cada veia estourando. Não tenho forças para dizer mais nada, sinto meus olhos adormecerem, minha visão fica turva, em minha luta desesperada para me manter acordado, vejo o anjo levantar e colocar a mão em meu ombro, tenho a impressão de vê-lo ser envolto por uma áurea azul e pronunciar algumas palavras em uma língua que não compreendo,
e de nada mais eu lembro, porque nesse momento, eu desmaiei.
Salve pessoas
Não abandonei o blog. Só estou bastante na correria, mas daqui uns dias já voltarei a postar normalmente.
Obrigado aqueles que acompanham a historia e tem me cobrado a continuação.
“Lágrimas escorrem de seus olhos molhados
Velas deretem e marcam com cera o chão
Relâmpagos sibiliam distante
Enquanto trovões urram com todo seu ódio
A água escorre límpida pela janela
Pés descalsos pisam o chão frio
A música toca baixo e sem ritmo
A fumaça de cigarro enche o quarto
As pessoas lá embaixo fogem da chuva
Se escondem daquilo que tu desejas
Não se pode culpa-las
O culpado és tu mesmo
Pedras de gelo caem do céu
E aumentam a fúria dos trovões
Ele grita teu nome
Chegou tua hora… chegou teu momento
A Janela se estilhaça,
Corta levemente teu rosto,
Sentes a chuva gelada
Assim como teu coração…
O cigarro se apaga,
Os cacos se desprendem da janela,
e caem ao seu lado,
Deveis pegá-los
Chegou tua hora.. chegou teu momento..
Teu corpo tomba sobre os estilhaços
Água e gelo caem sobre teu corpo,
A água torna-se vermelha, tinge o chão
Mas ele não está mais frio…
Lágrimas escorrem de seus olhos molhados
Velas apagam e não mais marcam o chão
Foi- se tua hora.. foi-se teu momento…
Adeus…”
Começo a subir as escadas, correndo degrau por degrau, não faço som algum, sou apenas um espectro, que emana uma áurea negra fria, cheia de ódio e raiva, após alguns minutos estou no andar devido, me encosto ao lado da porta e a abro vagarosamente, o corredor esta vazio, saio para ele e caminho rapidamente procurando a sala numero 2307, a encontro alguns metros para frente, encosto no trinco e abro silenciosamente, é uma recepção e esta vazia, entro e fecho a porta, caminho passo a passo observando cada canto da sala, estou em um escritório de advocacia, existem varias pequenas salas ali dentro, continuo caminhando lentamente, sem emitir som algum, as portas sempre ficam abertas, passo por 5 delas até encontrar uma com a luz acessa, paro a uma certa distancia, vejo um homem sentando atrás de uma mesa, lendo um documento, fico alguns instantes observando, o tempo passa mais devagar, começo a caminhar em direção a sala, entro sem emitir som algum, e paro a 1 metro da mesa, ele continua lendo, não me viu entrar, ainda não me percebeu, observo por mais alguns instantes, o homem parece ter 1,70m mais ou menos, os cabelos um pouco grisalhos, aparenta uns 45 anos, esta de terno e gravata, e sua concentração me impressiona, quase me sinto mal em interrompe-lo, dou um sorriso após esse pensamento, interrompe-lo, sim, vou interrompe-lo mais do que ele pode imaginar que algum o faria, e então, decido que é hora:
- Dr. Charles Magnus
O Homem olha assustado, sinto o coração dele bater mais forte, o fiz despertar de um transe praticamente, ele me olha por alguns instantes tentando assimilar, sinto seu medo, mas ele mantém a postura, e responde:
– Sim, o que quer?
– Lhe matar – respondo sem tirar o olhar dele, ele estremece, sua pele fica pálida, branca, gélida.
– Do que esta falando? como entrou aqui? Vou chamar a segurança – diz ele demonstrando todo seu desespero, faço meu sobretudo abrir mostrando as armas, ele para de repente, imóvel, quase não respira.
-Porque quer me matar? O que fiz a você?– diz ele então, ainda incrédulo do que esta acontecendo.
– Não fez nada para mim, isso é apenas o meu trabalho– digo, sem me mexer ainda, apenas olhando diretamente em seus olhos e talvez minha frieza o tenha abalado, pois ele agora começa a chorar.
– Eu não mereço morrer, nunca fiz mal a ninguém, sou honrado, trabalhador, dou duro o dia todo para sustentar minha familia – responde em prantos. E nesse momento penso o quanto o ser humano é patético, a que estado de humilhação ele chega segundos antes de sua morte.
– Eu acredito – digo-lhe calmamente.
– Então por que vai fazer isso? – pergunta ainda mais desesperado.
– Porque sou pago para isso. – respondo olhando para uma estatua da Deusa Thémis, o símbolo da justiça.
– Como pode tirar a vida de um inocente por dinheiro? – pergunta ele com raiva, apenas dou de ombros e saco a pistola, ele fica sem voz, não sabe o que fazer, fica sem ação.
– Você nunca mais conseguira dormir a noite, sua consciência vai lhe atormentar pelo resto de sua vida – diz ele chorando, eu suspiro, ele tem razão, ouço todas as noites, as vozes de todos aqueles que matei, seus últimos gritos, seus últimos pedidos, e sorrio.
– A tempos não sei o que é dormir. – respondo quase sorrindo.
– Por favor, tenho mulher e filhos, uma familia, não tem piedade? – diz ele suplicando. Piedade? Penso comigo mesmo, o tempo para, tudo fica no mais absoluto silencio, ouço apenas as batidas do coração dele, levanto a pistola, seus olhos estão cheio da lagrimas, seu rosto esta todo manchando, vai morrer sem saber a causa, sem saber exatamente o porque, ou talvez saiba, eu não sei o motivo, nunca pergunto, não me importo, ouço sua respiração alta, desesperada, é apenas um ser humano se agarrando a vida, piedade? O mundo passa em câmera lenta, levanto a pistola em direção ao seu coração, não sinto nada, meu corpo para de funcionar por alguns instantes, mira, alça de mira e alvo, meu alvo esta a minha frente,pálido, branco e incrédulo
– Não – respondo em um sussurro.
Aperto o gatilho, vejo o projétil deslizar para fora da arma e ir em direção ao seu coração, levanto a arma e aperto novamente e vejo outro projétil deslizar em direção a sua cabeça, o primeiro projétil atinge seu algo, perfura e explode o peito dele, algumas gotas de sangue voam em meu rosto, o segundo projétil atinge sua cabeça, o homem cai de costas, por cima das cadeiras, sem vida, sem expressão, sem alegria, morto, apenas morto. O tempo volta a correr, ouço sons novamente, a vida volta ao mundo, observo por alguns instantes, o corpo jaz sem vida a minha frente, seus olhos me observam como implorando pela vida uma ultima vez, me aproximo do corpo, me ajoelho ao seu lado, fecho seus olhos e digo em voz baixa:
– Esteja em paz.
Guardo a pistola e corro para a janela, abro e pulo no parapeito, fecho ela, ouço pessoas se aproximando da sala, gritos, comentários, vozes, a morte já foi descoberta, preciso sair dali, pulo para o parapeito do andar debaixo e a esquerda, depois para o debaixo e da direita e vou assim por 22 andares até chegar ao primeiro, de lá pulo para o muro, corro por cima dele até a ponta, e pulo para rua, corro para o carro, a rua esta deserta de pessoas, existem apenas alguns carros andando passando na rua, me aproximo da BMW, entro rapidamente, acelero e saio andando pela rua, alguém pode ter me visto no carro, preciso me livrar dele, acelero mais forte, mais rápido desapareço por entre as ruas, 10 km a frente encontro uma ponte, acelero o carro a toda velocidade, pego a uzi do porta luvas, abro a porta e pulo, rolo para o lado da rua e o carro rampa a ponte e cai reto no rio, não o vejo afundar, corro para longe da ponte, pulo alguns muros para cortar caminho e saio a alguns metros da ponte, na direção oposta, finalmente estou em uma rua deserta, tranqüila, respiro fundo e volto a andar vagarosamente, acendo um cigarro e começo a caminhar, guardo a uzi na cintura, meu sobretudo esvoaça e um sorriso brota de meu rosto na noite.
Por que esta é minha verdadeira face, um assassino, um anjo da noite.
:: Estou com problemas no blog, desculpem a demora para postar, ACHO que agora esta normal ::
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- As vezes você me assusta – diz o japones, me fazendo acordar derepente, saindo da embriagues momentanea em que estou.
- As vezes, eu me assusto comigo mesmo, Yamata – respondo sorrindo, um sorriso sem maldade, um sorriso triste e me dou conta que o chamei pelo nome, isso é raro acontecer, muito raro – tenho que ir – digo a ele enquanto saio na direção do carro, ele me segue.
- Tente apenas não morrer ok? – diz ele enquanto pega os controles para abrir o portão.
- Não tenho esse tipo de sorte, meu amigo – respondo e entro no carro, coloco a uzi sobre o banco do passageiro e dou a partida, é hora de caçar, hora se seguir o caminho, hora de ser Asryel.
Saio da casa de Yamata, e sigo meu caminho, tenho que ir para o outro lado da cidade, o trabalho é lá, acelero o carro e ele responde prontamente, o japones tem razão, esse é forte, dirijo por alguns momentos em silencio, deixo minha mente silenciar, deixo minha alma se acalmar, levo a mão ao meu pescoço e puxo um colar, na verdade um fio prata e na ponta um pingente de prata, 1 dragão envolto em uma espada, o observo, não me lembro como o consegui, mas ele me trasmite segurança, uma certa paz, e de repente estremeço, esse pingente é muito parecido com a espada do anjo de cabelos vermelhos que apareceu em meu sonho, Nohahiel, me pergunto porque esse sonho voltou a minha mente, tem que ter algum sentido, preciso achar uma ligação, e decido que depois dessa noite, vou pesquisar algo sobre isso, mas agora não é o momento de pensar nisso, limpo a mente novamente e observo onde estou, divaguei por tempo demais, já estou proximo de meu encontro, relembro o email solicitando o serviço em minha cabeça, tudo certo, continuo acelerando, até encontrar a rua, o bairro não é muito movimentado, isso é bom. Finalmente encontro o local, é um prédio comercial, com centenas de pequenos consultórios, passo em frente a ele, confirmo o local e dou a volta na quadra, estaciono meia quadra para cima do prédio, já é noite, quase não a ninguém na rua, aguardo dentro do carro alguns instantes, até o momento que não haja ninguém na rua, após alguns instantes, ela fica temporariamente deserta, escondo a uzi no porta luvas, desço do carro, aciono o alarme e caminho rapidamente em direção ao prédio, meu sobretudo esvoaça conforme caminho, uma tranqüilidade imensa me domina, continuo caminhando até me aproximar do muro do prédio, olho para os lados por alguns instantes, vejo uma pessoa caminhando em meu encontro, continuo caminhando como se estivesse observando o numero do prédio, a pessoa passa próximo a mim, não fala nada, não olha, são tempos violentos, existe muito medo no mundo, ainda mais de alguém com um sobretudo preto até os pés a esta hora da noite, ela atinge dois passos de distancia de mim, dou um pulo e coloco um dos pés no muro, estico a mão direita e praticamente sem esforço algum, jogo meu corpo sobre ele, caio em pé sobre ele e em seguida me agacho, o muro não é muito alto, mas acabei de virar um alvo fácil, a pessoa que a pouco cruzou comigo, um homem que aparenta uns 40 anos, sente o vento frio e vira o rosto, mas nada vê, pois agora sou um espectro da noite, sou uma sombra, sou um animal caçando em meu habitat natural, começo a correr sobre o muro na direção da portaria e antes de alcançar o final dou um salto em direção ao prédio, ele fica próximo do muro, não mais que 3 metros, me agarro com facilidade ao parapeito de uma janela, balanço meu corpo uma vez e na segunda impulso ele para cima, caio agachado no parapeito, ele é estreito, mas é suficiente para mim. Observo a rua, esta escuro demais para alguém ver um vulto negro sobre o prédio, tento abrir a janela, esta trancada, pulo para a próxima e tento de novo, trancada também, tento uma terceira e também esta trancada, suspiro, fico em pé, me impulsiono e salto com as duas mãos esticadas para cima, alcanço o parapeito de uma janela do segundo andar, jogo minhas pernas também para cima e caio agachado no segundo andar, procuro alguma janela aberta e na segunda tentativa encontro uma, observo lentamente pela janela se existe alguém naquela sala, a luz esta acessa e vejo uma sombra na peça da frente, deve ser um consultório e a recepcionista ainda esta fazendo hora extra, vou para a janela ao lado, parece ser do mesmo consultório, fico em pé no parapeito me segurando pela mão esquerda, estico o sobretudo sobre a mão direita e dou um soco na janela ao lado, quebrando-a, volto rapidamente para o parapeito da janela aberta, vejo a sombra se movendo, abro a janela rápido, entro sem som algum, é um consultório odontológico, caminho até a recepção, a porta esta aberta, a peça ao lado é uma espécie de estoque, vejo uma sombra lá e ouço uma voz feminina:
- Meu deus, o que houve aqui? Sera que foi um passarinho suicida de novo?
- Passarinho suicida? – Penso comigo mesmo, e dou um sorriso, criatividade é tudo na vida das pessoas, dou um salto e rolo pela porta, não emito som algum, paro do lado de fora da porta e me encosto na parede ao lado, o corredor esta vazio, golpe de sorte, vejo a porta de incêndio e corro para ela, abro e entro e me lembro de respirar, as luzes automáticas acendem, me encosto na porta, olho para cima e respiro fundo, tenho de chegar no 23º andar.
Acelero o carro mais, já estou no centro da cidade, e de repente me dou conta de que ainda estou na rápida, entro na primeira rua a direita e sigo fazendo zig-zag pelas ruas da cidade, encontro uma paralela e sigo para o bairro do “japa”, fica na colônia de japoneses, diminuo a velocidade ao me aproximar dele, entro em alguma ruas e obviamente, me perco, japoneses tem mania de fazer tudo igual, volto para o inicio do bairro, e pergunto onde fica o “japan youshuo”, recebo as coordenadas e sigo para lá, finalmente encontro o restaurante, sigo algumas quadras acima e encontro a casa dele, paro em frente, buzino e o portão se abre, em seguida a garagem faz o mesmo, e estou dentro de um estúdio improvisado, os portões se fecham e vejo um japonês, de mais ou menos 1,65m, cabelo curto e com aparência de 25 anos, ele vem ao meu encontro enquanto desço do carro e pergunta:
- Deixa eu adivinhar, se perdeu?
- Esse lugar é todo igual, não tem como não se perder – respondo mal- humorado
- Você anda caprichando, esse é forte hein? – diz ele fazendo um gesto com a cabeça apontando para o carro, enquanto arruma os fios da guitarra dentro do estúdio.
- É, ele me molhou – respondo observando a quantidade de fios na espalhados pela garagem.
- bom, eu faria o mesmo se te visse na rua – diz ele rindo, eu apenas o observo e respondo:
- aí eu roubaria teu carro, esta tudo pronto? – pergunto enquanto observo um saxofone, que instrumento esquisito, quem inventou devia ter algum tipo de problema.
- Sempre esta Asryel, sempre esta, entre – diz ele desconectando alguns cabos de uma guitarra e a levando para dentro.
Entro, sua casa é bastante oriental, tem uma decoração tradicional, e até uma mesa daqueles em que nos sentamos no chão a sua volta.
- Escondeu bem dessa vez? – falo, e reparo que o aquário onde ficam suas tartarugas esta imundo e vejo as pequenas criaturas encostadas no vidro, quase que com medo de andar por aquele “vale perdido” – Não acha que deveria limpar o aquário de suas tartarugas?
- tartarugas? – pergunta ele fingindo um susto – eu pensei que eram caranguejos, isso explica porque não gostaram do mangue que eu fiz – diz ele enquanto guarda a guitarra em uma capa, eu apenas observo e balanço a cabeça: – Mangue? Essa é boa – penso comigo mesmo, ele vê minha expressão e diz:
- o que foi? Tartaruga, caranguejo, tudo igual. – diz ele rindo, apenas suspiro.
Ele entra em seu quarto, abre o armário e começa a procurar em alguma coisa, eu apenas pergunto:
- Você não disse que tinha escondido bem?
- E escondi – diz ele – quer lugar melhor que meu armário? Acha que alguém é louco de mexer ali?
Penso por alguns instantes, faz muito sentido, capaz de se mexer ali, e ser picado por uma aranha, ou coisa pior, me preparo para responder e ele diz:
- brincadeira, só estou procurando a chave.
- Chave do que ? – pergunto enquanto sento da cama.
- da minha gaveta? – diz ele quase dentro do armário
- o que a chave da sua gaveta tem haver com minhas coisas?
- nada horas, tuas coisas estão embaixo da cama, puxa ai. – diz ele completamente dentro do armário.
Eu suspiro, balanço a cabeça, não sei dou risada ou uma porrada nesse japonês maluco, ma agacho ao lado da cama e antes de colocar o braço embaixo dela, pergunto:
- tem algo que possa me morder aqui embaixo?
- acho que não – grita ele de dentro do armário
Estico a mão e alcanço uma alça, puxo e vem minha mala, ela é preta e bastante grande, tem uma combinação, coloco minha senha e ouço o clique da trava sendo aberta, abro a mala, e meus olhos brilham, todo meu equipamento esta ali. Duas pistolas semi automáticas, e uma uzi, minha roupa negra, meu sobre-tudo também preto, botas e luvas também negros e meus coldres, abano a cabeça, eu devia ter parado, ignoro meu pensamento, e me visto, calça e blusa primeiro, depois as botas, meu coldres, um do lado direito e outro do lado esquerdo, as pistolas ficam na altura de minhas coxas, a uzi levo na mão mesmo, visto meu sobretudo e paro em frente ao espelho e me observo,
- Achei a cha… – o japoneis interrompe a frase, me olha alguns instantes e sussura– o anjo da noite voltou.
Nada respondo, não é necessário, sem tirar os olhos de meu reflexo no espelho, engatilho a uzi, e giro sobre meus calcanhares, fazendo o sobretudo esvoaçar, meus olhos brilham com maldade e ódio, mas meu rosto se esconde na sombra da noite, deixo um sorriso brotar em meio a ela, e ele me denuncia.
Por que Asryel, o anjo da noite esta de volta.
Respiro fundo, hora de agir, espero ele entrar, o portão se fecha, ele desce do carro, abre a porta, entra e a tranca, aguardo alguns instantes, e pulo da arvore para o quintal, não faço som algum, sou quase um fantasma, caminho agachado até a até a lateral direita do carro, encosto as costas na porta e avalio, procuro alguma pedra no chão, encontro uma no gramado a pego, me deito de costas no chão exatamente ao lado da porta do carro, arremesso a pedra com força em uma janela do segundo andar da casa, rolo imediatamente para baixo do carro, e ouço um grito vindo da casa:
– Agora eu pego esses moleques.
Ouço a porta se abrindo, um par de pernas passando correndo pelo lado esquerdo do carro, rolo rapidamente para o lado direito, e meio agachado entro na casa enquanto ouço o portão se abrindo, foi melhor do que eu esperava, penso enquanto deixo surgir um sorriso, tenho que ser rápido, estou no que acho ser uma sala, 3 grandes sofás formando um “U” na sala e no centro uma mesinha, procuro a chave do carro ali, nada, ainda não ouço o barulho do portão, corro para o cômodo ao lado, procuro sobre a mesa, nada também, meu olhar segue por cima do balcão e bingo, encontro a chave do carro e a carteira do garotão, pego apenas a chave, e quando estou saindo da cozinha, vejo um pote de “queijo light” sobre a mesa e um pacote de pão integral:
– Fresco – penso comigo mesmo, enquanto volto para sala, quando estou próximo da porta ouço o barulho do portão se fechando, sem pensar direito, me jogo embaixo do sofá, quase no mesmo instante ouço o playboy entrando pela porta e a fechando, ele passa direto pela sala e vai para cozinha, aguardo alguns instantes, silencio total, ele não procurou a chave, não percebeu que ela sumiu, terei de ser rápido, vou ter de sair debaixo do sofá, subir as escadas e achar um jeito de sair lá por cima, enquanto penso nisso, o telefone toca e .. ouuuttttccchhh… me assusto com o som e bato a cabeça no sofá, mal respiro com medo de que ele tenha me ouvido, enquanto minha cabeça lateja de dor no local da batida, ouço mais uns berros:
– Onde “enfiaram” esse telefone agora? – pragueja o playboy enquanto passa pela sala procurando o telefone, vejo suas pernas passando e o ouço subindo as escadas, rolo para frente do sofá, vou até a porta, a abro sem emitir som algum, o telefone ainda toca e ele ainda pragueja, fecho a porta e estou fora, olho para o carro, e tenho abrir a porta, esta travada, procuro na chave o botão de desativar o alarme sem fazer barulho, fico parado ao lado da porta da casa e pressiono o botão, caso as luzes do carro chamem a atenção, terei como bater no playboy, mas para minha rara sorte, ele deve estar no andar acima e não vê nada, abro a porta do carro, entro e a fecho, silenciosamente, coloco a chave no contato, pego meu celular e vejo as horas, 19:31:30, céus, 1 minuto e meio, fico agachado dentro do carro, o playboy deve estar no telefone ainda, o tempo se arrasta, cada segundo é uma agonia, 19:33h chega finalmente, e minha salvação chega junto, ouço o portão se abrindo e um carro que não consigo identificar direito para e aguarda o portão se abrir, é agora, penso, levanto, bato a partida no carro e engato a ré, o carro de trás percebe, também engata a ré e se afasta dando passagem, começo a acelerar e quando estou quase fora do portão vejo o playboy saindo na porta tentando entender o que esta acontecendo, ele leva um tempo para perceber que não é nenhum de seus parentes tirando o carro, e sim que ele esta sendo roubado, ele começa a gritar enquanto corre na minha direção:
- Ladrão, pega, filho da puta, volta aqui.
mas já é tarde, estou na rua, vejo o “papai daves” sair de dentro do carro enquanto acelero forte em marcha ré, depois de alguns metros, giro o carro 180 graus, olho pelo retrovisor, eles estão correndo atrás do carro, e se eu fosse um maluco psicopata e estivesse armado? Eu os mataria facilmente, as pessoas não cuidam da segurança, se deixam levar pela emoção, acelero mais o carro, e viro a direita, depois a primeira a esquerda, sigo reto 4 quadras e estou na beira de uma rápida, entro rapidamente nela, costuro alguns carros enquanto acelero mais o carro, ele é bom, responde rápido, me lembro de colocar o cinto, afinal, não quero infringir nenhuma lei, deixo brotar um sorriso, e relaxo, foi com estilo, mas fácil demais, não tem mais graça, procuro o case de cds no porta luvas, encontro, o primeiro cd é do seether, bom gosto do playboy, coloco o cd, o som é bom, hang on a musica que toca, o semáforo fecha, pego meu telefone, e procuro por “japa”, encontro e disco:
– Você nunca foi bom em promessas eternas – diz a voz ao atender
– Todo mundo tem defeitos, preciso do meu material – respondo.
– Ele esta pronto, sempre pronto, a grana é boa? – pergunta curioso
– Digamos que tu vai poder comprar tua “Fender Stratocaster com captadores seymor-duncan e ponte floyd rose” – respondo sabendo o efeito da resposta, o telefone fica mudo por alguns instantes, e eu pergunto:
– Japa, teve um infarte?
– Eu tava assimilando – diz a voz quase sem ar – quando tu vem?
– Estou indo para ir, deixe tudo pronto, e tente não ter um infarto. – e desligo o telefone, arranco o carro e meu sangue corre mais rápido, aumento o som, abro a janela e deixo a noite me abraçar com seu hálito gélido, deixo um sorriso brotar e respiro fundo.
Porque em breve, a caçada vai ter inicio.
:::::: Por problemas tecnicos no blog, fiquei um tempo sem postar, voltamos agora com nossa programação normal :::::::
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Respondo o email dizendo que aceito, e recebo algumas instruções, o básico que preciso, nada de mais que possa nos denunciar, basicamente códigos que apenas quem é da “área” conhece. O restante do dia corre devagar, parece que o tempo resolveu congelar, cada minuto é uma agonia sufocante, mas finalmente o relógio trava as 18 horas, é hora de sair, é hora de trabalhar de verdade, sinto meu coração pulsando, é a alegria de estar vivo voltando ao meu corpo por alguns instantes, finalmente saio do prédio, a claridade do dia esta dando lugar a escuridão, a noite, inspiro fundo, tenho muitas coisas para fazer, preciso ser rápido, pego meu celular, disco, ele chama depois de alguns toques, uma voz atende:
- Alo
- Cyprex, preciso de informações sobre essa placa. – digo enquanto tento me lembrar exatamente da placa do carro que me molhou pela manhã.
- Asryel, você não estava fora? – disse a voz sonolenta ao telefone.
- Eu também já disse que ia parar de fumar, a placa é essa – e lhe digo o numero dela.
- Esta bem, te ligo na seqüência. – disse, e em seguida desligou o telefone.
Continuo caminhando até terminal de metro, me sento em um banco, fico alguns instantes observando as pessoas, elas passam com pressa, sem perceber exatamente o que estão fazendo, deixo meus pensamentos para lá e pego meu celular, observo as horas, 18:15, ele não costumava demorar tanto, mexo na minha lista de contatos, e vejo o nome dela, sinto um aperto no peito, porque toda vez isso? Fiz o que tinha de fazer, não tive escolha, fecho os olhos com força, abaixo a cabeça e suspiro fundo, talvez eu devesse me arrepender, talvez eu devesse voltar atrás e …. meu celular toca, volto a realidade e o atendo:
- Você já foi mais rápido – digo
- Uma palavra para você: foda-se. – diz cyprex ao telefone.
- Legal, estamos de bom humor hoje, o que descobriu? – digo com um sorriso.
- BMW preta, modelo desse ano, esta no nome de Daves Starway, magnata, deu o carro pro filhinho dele, o garotão chega da faculdade as 19:16h e fica sozinho até as 19:33h, hora que o “papai daves” geralmente chega, o “barraco” é no bairro gringo, na rua maltes etenus, 656, foi o que consegui, agora é contigo, me deve uma garrafa de whisky.
- uma garrafa de whisky? Antigamente era uma caixa de cerveja. – digo revoltado.
- Meu gosto esta mais refinado. – responde rindo
- Tomara que te faça vomitar até as tripas. – respondo e em seguida desligo o telefone.
Hora da ação, corro para estação e pego o metro para o bairro gringo, é conhecido assim por ser um dos bairros mais nobres da cidade, fica longe de onde estou , mais de meia hora de metro, me sento, e encosto a cabeça na janela, finjo que estou dormindo, tática infalível para espantar velinhas cansadas, e tento me concentrar, preciso estar calmo e concentrado para fazer essas coisas, mas o trajeto parece infinito, parece que nunca chegarei lá, o vagão esta praticamente vazio, porem tenho a sensação de estar sendo observado, levanto um pouco a cabeça e vejo um rapaz loiro, com 1,75 aproximadamente, cabelo curto penteado de forma espetada, vestido com uma calça jean, tenis all star e camisa branca para fora da calça, esta encostado na porta, com a cabeça baixa, quase que dormindo em pé, tive a impressão de que ele estava me observando, mas provavelmente era apenas impressão, o metro anuncia meu ponto, espero a porta abrir, levanto de forma rápida e desço dele, caminho rápido, olho para trás de forma discreta, ninguém me seguindo, ótimo, subo a escadaria do metro, já anoiteceu, estou em meu ambiente, estou na escuridão, respiro fundo, o ar é frio, continuo caminhando até encontrar a rua dita por cyprex, é bom que aquele gordo infeliz esteja certo, mas para minha sorte, encontro a rua facilmente, vou caminhando até encontrar o numero 656, enquanto passo por ela, faço um rápido reconhecimento, a casa esta aparentemente vazia, todos devem estar fora, tem um grande portão, de quase 5 metros, automático daqueles que corre para esquerda, e um muro em frente casa,de mais ou menos uns 2 metros de altura e uma arvore dentro do quintal que beira o muro, vai ser fácil, dou um sorriso, essas coisas não tem mais graça, se tornarem fáceis demais, continuo caminhando para não levantar suspeitas, até passar mais ou menos umas 4 casas, pego meu celular e vejo o horário, 19:07, tenho que ser rápido. Começo a bater as mãos em meu bolso como procurando algo, e finjo não encontrar, começo a voltar olhando na rua como procurando algo que perdi, vou caminhando assim até estar em frente a casa do “playboy”, me abaixo como se tivesse encontrado, e olho para os lados, ninguém me observa, a rua esta vazia, tranqüila e calma, dou um pulo rápido e alcança a ponta do muro, com uma velocidade quase sobrenatural, estou em pé sobre ele, e com a mesma velocidade, subo alguns galhos da arvore, estou camuflado em meio a suas folhas e galhos, me confundo com a arvore, agora preciso apenas aguardar, o tempo passa, não a movimento na rua, ótimo, pego meu celular, e o observo, 19:17h, “esta atrasado playboy” penso comigo mesmo, mas minha espera é recompensada.
Pois eu vejo uma bmw preta, parando em frente ao portão, enquanto ele se abre.
Olhei rapidamente para o lado, um playboy me viu distraído e fez questão de passar nas poças de água que estavam por perto e me molhar, agora ele estava parado, rindo pela sua brincadeira que a seus olhos parecia tão engraçada.
- Não deveria ter feito isso, “playboy” – disse mais para mim mesmo do que para ele, observei o carro se afastando, uma bmw preta, anotei sua placa mentalmente, enquanto o carro acelerava desenfreado molhando mais pessoas, suspirei fundo, nada como um bom banho gelado para nos deixar acordado.
Atravesso a rua, pingando, e continuo caminhando, caminho devagar, observando as pessoas, estão todas sempre correndo, com pressa, como se o mundo fosse acabar em alguns minutos, algumas parecem se incomodar com meu ritmo lento, e esbarram em mim, sou praticamente levado pela multidão, resolvo apertar o passo antes de ser esmagado, então chego ao meu ponto de ônibus, e meu ônibus esta parado, finalmente um pingo de sorte, entro no ônibus, procuro minha carteira para pagar a passagem e, ela esta inteira molhada, pego o dinheiro na mesma situação e entrego ao cobrador, ele me olha com uma cara não muito amigável, finjo que não noto, passo a roleta e me sento, e fico aguardando o ônibus arrancar, tento me lembrar de detalhes do sonho, necronimun, nome estranho, e aquelas criaturas, fantasia demais, foi apenas um sonho, mas porque não me sai da cabeça? O ônibus arranca, e para em seguida, uma jovem desesperada faz sinal para ele parar, ela entra correndo a agradece ao motorista, passa a roleta e o mundo pareceu parar por alguns instantes, ela é ruiva, seus cabelos longos chegam próximos da cintura, ela tem a pele delicada, seus olhos são castanhos, deve ter cerca de 1,75m e olhando para ela penso que talvez anjos existam em mais lugares do que meus sonhos, meus olhos encontram com os delas, e vejo lagrimas, ela estava chorando, e não sei exatamente porque, me senti triste por ela, seu olhar cruzou o meu em busca de um local para sentar, e só então percebo que o banco ao meu lado esta vazio, ela caminha em minha direção, me olha e diz:
– Com licença – diz enquanto se senta no banco, sua voz é suave, mas chorosa, de alguém que esta se segurando para não irromper em lagrimas, apenas aceno com a cabeça, me sinto tentado a conversar com ela, mas achei melhor me manter em silencio, mas ela desaba em lagrimas, e então resolvo falar com ela, mas como puxar conversa?
– Aceita? – lhe ofereço uma goma de mascar, ótimo, a garota se desvaindo em lagrimas, e eu lhe ofereço uma goma de mascar, mas para minha total surpresa, ela aceita e diz:
– Obrigada – sua voz entra em minha alma.
– Não vale a pena chorar, seja pelo que for, enfrente com um sorriso – digo a ela sem pensar exatamente no que estou falando, ela apenas sorri, seu sorriso me hipnotiza, fico atônito, e ela então me diz:
– Eu desço aqui, obrigada pela gentileza
Simplesmente sorrio, enquanto ela desce e some em meio a multidão, não sei seu nome, não sei seu telefone, não sei nada, apenas que tem um sorriso que me deixou hipnotizado e me mantenho pensando nele até que chega meu ponto, desço e caminho para o prédio onde trabalho, entro na recepção e dou bom dia as recepcionistas, nenhuma me responde, estão ocupadas no telefone e ouvindo desaforos de clientes estressados já cedo. Aperto o botão do elevador, e vejo então a placa de manutenção na frente deles, suspiro fundo, acho que preciso morar e trabalhar em casas, não em prédios, abro a porta para a escada e começo a subir, 14 andares, 14 longos andares, parecem infinitos mas finalmente chego, entro na sala em que eu trabalho, e sento em frente ao meu computador, observo ao redor, todas as pessoas estão de cara fechada, com mau humor, acho que o clima esta fazendo isso com todos, ou sei lá, talvez a vida moderna, falta de sexo, como saber, abro meu email e vejo um que me chama atenção, é de alguém que assina por “Be Happy”, o leio, tem poucas palavras, diz apenas:
“Negocio bom, para esta noite, seu estilo.”
Respondo rapidamente:
“Estou fora”
Estou fora desse negocio penso comigo, chega de problemas, mas o email é respondido prontamente, quase que instantaneamente:
“A grana é boa 150 mil”
Tamborilo meus dedos sobre a mesa por alguns instantes, levanto e pego um copo da água,150 mil é um dinheiro razoável, mas acho que não vale a pena, aquele idiota sempre me coloca em encrencas, das grandes.
Sento novamente na frente do meu computador, e respondo:
“não”
Mas quase no mesmo instante outro email chega:
“250 mil e nunca mais te procuro”
Suspiro fundo, por alguns instantes me odeio, eu havia decidido nunca mais aceitar esses trabalhos, mas finalmente deixo brotar um sorriso em meu rosto e sinto a empolgação fazendo meu sangue correr mais rápido, a adrenalina volta a meu corpo.
Porque eu jamais fui fã de promessas eternas.
O quarto ainda estava escuro, eu estava suando, tremendo como se ainda estivesse com raiva, demorei alguns minutos para me acalmar, estava agitado, pensava no sonho, será que fora apenas um sonho mesmo? Parecia tão real, e de repente tive um ataque de risos, real? Claro que sim, anjos, lobos gigantes, arcos que brilham, quase tão real quanto papai noel. Deixei esses pensamentos de lado e levantei, procurei meu celular que deveria estar sobre a cabeceira da cama, mas ele tem o péssimo habito de desaparecer, me virei rápido para ver se estava próximo ao armário e,
- outtthhh – praguejei
Obviamente, eu precisava começar o dia batendo a canela em algum canto da casa, sentei gemendo de dor sobre a cama, e ouvi o barulho de algo rachando, suspirei fundo, pois eu acabei de achar meu celular, peguei-o e ele estava com a tela rachada.
– Hoje parece ser um dia daqueles – pensei comigo mesmo.
Reparei nas horas, eram 7:10 AM, dormi quase 3 horas, praticamente um record. Hora de enfrentar o dia, caminho em direção ao banheiro, prestando muita atenção em cada canto da casa, não quero “encontrar” com mais nada pelo caminho. Cheguei são e salvo no chuveiro, tiro a roupa, entro embaixo do chuveiro, o ligo e, estou sem luz no apartamento, será que esqueci de pagar a conta? É possível, é possível, e já que estou ali embaixo mesmo, tomo o banho frio, as 7:15 da manha, sai do banho rápido e quase congelado, me visto e paro para me observar no espelho, reparo na minha feição, acho que já tives dias melhores, sou negro, com 1,86 de altura, cabelo cortado em forma de tribal, olhos castanhos escuros, 78 kg, vestido com calça jeans preta, camiseta branca e tenis preto, e algumas olheiras, alias, talvez a velha maluca do 1 andar, que tem 80 ou 90 anos esteja com as feições melhores que a minha, eu realmente preciso de férias, termino de me arrumar e saio para fora de casa, e aperto o botão para chamar o elevador, ele não acende, aperto novamente, e me lembro que o prédio esta sem luz, sem problemas, 21 andares não é nada, abro a porta de emergência e começo a descer pela escada, dez andares abaixo eu tomo a decisão que nunca mais vou fumar na vida, 5 andares depois da decisão estou acendo um cigarro, nunca fui muito fã de promessas eternas, e finalmente chego ao térreo, da próxima vez eu pulo da janela, pelo menos é mais rápido, passo pela portaria do prédio, o porteiro esta em algum lugar entre o sono matinal e a ressaca de dois dias atrás, tem gente que sabe viver,
– Bom dia Sr Anasryel – diz ele errando meu nome
Bom dia?? Só se for para ele que passou a noite dormindo e toma banho 1 vez por semana, mas me contenho e apenas respondo
– Bom dia seu Alceu, sabe o que houve com a luz? – pergunto
– Luz? Nossa senhora, não é que desliguei para darem manutenção no elevador e esqueci de ligar? Vou ligar rapidinho antes que alguém perceba – diz ele enquanto corre para onde fica a chave do prédio.
Apenas o observo com o olhar de um sanguinário, de um assassino prestes a matar e estripar lenta e dolorosamente sua vitima, mas me contenho e caminho até a garagem do prédio onde deixo meu carro, carro? Coloco as mãos no bolso e percebo que esqueci a chave, suspiro fundo, talvez eu devesse começar a praticar yoga, por que acho que vou morrer cedo de gastrite, resolvo ir de ônibus para o trabalho, começo a caminhar em direção ao ponto de ônibus, caminho distraído, sem perceber acendo outro cigarro, não está mais chovendo, nem frio, mas as ruas estão cheias de poças da água da chuva da noite anterior, elas estão praticamente sem movimento, ainda é meio cedo. Aquele sonho me vem a cabeça, o que será que foi aquilo? E por que o nome nohahiel me parece tão familiar? Começo a divagar sobre isso e me desligo do mundo, mas uma buzina alta e alguns gritos me trazem de volta a realidade.
Pois eu estava encharcado dos pés a cabeça, parado na beira da avenida.