e finalmente, a sanidade

O primeiro lobo pula o fogo em direção a Damsel, ela o empura com uma bola de fogo e explode mais duas em dois lobos que nos circulam, mas os animais a encurralam cada vez mais, ela tenta me proteger, ergue novamente uma barreira de fogo, e diz:
Fique atrás de mim Asryel, e controle-se, não se deixe levar.
Ao terminar a frase, um dos animas atravessa a bareira, e mesmo em chamas a morde no braço, a força é tanta que ela fraqueja enquanto grita de dor. A barreira de fogo diminui, e o circulo a muito se desfez e isso nos deixa vulneraveis. Então novamente ouço a gargalhanda daquele ser bizarro, e ele diz em sua potente voz:
É isso Asryel??? vai deixa-la morrer?
A voz dele me enfurece, e sinto raiva correndo em cada veia de meu corpo, sinto meu corpo arder, incendiar, a dor é insuportavel, mas a raiva em mim me faz querer mais, sinto a mesma neblina negra desprendendo de minhas mãos e envolvendo meu corpo.
Asryel, não… – ouço a voz chorosa de Damsel, mas é tarde demais.
A nevoa me envolve por inteiro e sinto cada musculo e nervos de minhas costas rasgando, a dor é lascinante, meus olhos ficam verdes, como duas esmeraldas, me ajoelho pela dor, e sou obrigado a gritar, tão alto quanto o som de um trovão. O céu estreme, nuvens e raios desmoronam deles, e finalmente a dor diminui, e neblina se dissapa aos poucos, ficando apenas como uma nevoa em torno de mim, e sinto minhas costas pesadas, não preciso olhar para saber que finalmente tenho asas, levanto meu rosto e observo aquele ser, ele tem um sorriso insano , seus lobos recuam, sinto medo neles, sinto o desespero e isso me inebria.
não… – damsel diz , mas o aquele ser grita
Finalmente voltou, lord Asryel – diz meu nome com escarnio – Vão – grita novamente a seus lobos, que exitam por um instante mas em seguida me atacam.
Mal preciso me mexer, um deles pula em minha direção, eu apenas seguro com uma mao e o estrangulo, com um movimento suave, aquela fumaça negra sai da minha mão e envolvo dois deles nela, os ouço agonizar e me sinto mais forte, dois deles tentam pular ao mesmo tempo em mim, mas alço voo e ambos mordem o vazio, giro cada uma de minhas mão para cada lobo e aquela nevoa se torna firme, como uma extensão de meu braço, e de um eu esmago a cabeça, do outro jogo quebro todos os ossos, por fim, volto ao solo, o ultimo lobo me circunda, não me movo enquanto ele pula sobre mim, mas antes de me alcançar, ouço um ganido, pois com a sombra dele, fiz tres pontas de lança que o atravessaram e o deixaram empalado a minha frente.
Meu olhar se volta para aquele monstro, não sinto nenhuma sensação dele, ele é como uma pedra, e então pergunto:
O que quer de mim?
O que todos querem – responde rindo, ele levanta o machado e corre em minha direção, quando esta proximo a mim, desfere o golpe, mas eu seguro o machado com facilidade na mão esquerda, minha mão se transforma em nevoa enquanto atravesso seu corpo, segurando em suas costelas, e dele percebo uma sensação de paz, o olho nos olhos e ele apenas me diz.
Obrigado
Puxo minha mão e arranco todo esqueleto atraves da carne, não a tempo dele gritar, os ossos se soltam em minha mão, e agora tudo que resta daquele ser, é um bolo de carne e ossos no chão.
Observo Damsel caída sangrando no chão, caminho até ela e a olho em seus olhos, ela vira o rosto, e sinto o medo em seu coração, e apenas uma frase sai de minha boca:
– Quero respostas…..

 

Enlouqueço a cada instante

Acordo novamente, com gosto de sangue na boca, giro o corpo com um esforço fora do comum, e cuspo, sangue, apenas sangue… olho em volta, estou na cobertura do meu prédio, saco, o que houve dessa vez? Começo a ficar irritado com essas confusões mentais, meu corpo arde, uma sensação que beira o insuportável, tento me sentar e não consigo na primeira tentativa, faço força novamente e finalmente consigo.
- Se você já tivesse despertado, seria normal pular de um prédio, mas na forma humana, chega ser estúpido. – ouço a voz vindo de um canto escuro atrás de mim, uma voz feminina, suave, me viro rápido na direção dela, meu pior erro desde que acordei, vomito sangue e fico sem ar por um bom tempo, com a respiração ofegante, sou obrigado a me deitar novamente.
- o que houve? – pergunto, sem mais importar em achar lógica nisso tudo.
- esperava que você me disse-se isso. – responde a voz misteriosa.
Fico sem resposta por um tempo, e antes de falar algo, sinto um valor me envolvendo e por um instante, me senti livre, me senti como se todo o inferno que é minha vida sumisse, e após isso, minhas dores pararam. Minha respiração volta ao normal, e me sento cauteloso, mas felizmente não sinto mais dor.
- Se eu perguntar quem é você, vai acontecer algo estranho? – pergunto cauteloso. Ouço uma risada, e então tenho uma surpresa. Parada a minha frente, esta a garota que encontrei chorando no ônibus, agora sorrindo, com o mesmo sorriso que me hipnotizou no ônibus, e de novo me sinto hipnotizado, parado, sem reação diante dela. Apenas a observo, enquanto ela senta com as pernas cruzadas como uma indiana a minha frente.
- Sou alguém que a muito te espera. – responde ela sorrindo, e eu suspiro, mais enigmas, mais coisas que não entendo, ela percebe minha reação e diz:
- Meu nome é Damsel. E acho que no momento, você precisa saber apenas isso – diz ela olhando em meus olhos, seus olhos são castanhos, e me transmitem paz, tranqüilidade. Me levanto, não quero me apaixonar por um olhar, por alguém que não conheço, por um enigma, ela se levanta também, e sou obrigado a nota-la, seu corpo perfeito, magra, alta, sua curvas acentuam seu corpo esguio, os cabelos castanhos soltos se mexem por causa do vento, seus lábios transmitem um sorriso sereno e seu olhos me prendem por alguns instantes, noto , logo acima de seus seios, um pingente em forma de dragão, como os que tanto vejo em meus sonhos, e novamente suspiro.
- Asryel, precisamos sair daqui. – diz ela subitamente assustada
- Como sabe meu nome? – pergunto desconfiado.
- Agora, isso não tem muita importância – diz ela olhando furtivamente para todos os lados como se estivesse prestes a cair em uma armadilha.
- Como n..
- ABAIXE – grita ela derepente, e eu obedeço sem pestanejar.
Ouço um grito, como de um lobo e das mãos de Damsel um brilho forte e branco emana, atingindo uma criatura que estava pulando em minha direção, a criatura voa longe e vejo me dou conta de que estamos cercados, 8, 10 lobos estão girando em torno de nós, como se estivesse caçando uma presa perigosa, esses lobos são os mesmos que vi em meus sonhos, e sinto um medo terrível, olho para damsel, seus olhos passaram de serenos para selvagem, ela dá um passo a minha frente, como se estivesse me defendendo e meu corpo se arrepia quando ouço um voz vindo de um parapeito a nossa direita, logo atrás de algumas das criaturas:
- Se esconde atrás de feiticeiras Asryel. Quanta classe. – é a mesma voz que ouvi em meu apartamente antes de pular dele, ela me irrita, meu corpo incendeia por dentro, sou tomado por ódio.
- Sai daqui seu monstro, não vai conseguir mata-lo – diz Damsel em tom de desafio, as criaturas se aproximam e vejo a figura levantar do parapeito e caminhar em nossa direção enquanto diz:
- Mata-lo? Por que eu iria querer matar o anjo da morte? – diz a voz em tom de riso, e me sinto com mais ódio quando ouço sua voz, quase descontrolado.
- Controle-se Asryel – diz Damsel baixo o suficiente para apenas eu ouvir, mas sua voz não me ajuda
- E então Asryel, vai se esconder a vida toda atrás de uma feiticeira, ou vai fugir novamente? – diz ele novamente, e entra em meu campo de visão, então o observo, ele tem meia idade, talvez uns 35 anos, é alto, talvez 2,15 de altura, e é puro músculo, não me lembro de ter visto alguém tão aterrador em meus dias de vida, esta usando apenas uma calça de algodão, rústica, como se fosse de épocas medievais, e sinto seu cheiro podre, como se estivesse em estado de decomposição, seu corpo é cheio de cicatrizes, de batalhas talvez, e seu rosto é marcado por três linhas que vão da testa até o queixo, como se uma das criaturas que comanda o tivesse aranhado, e em suas mãos vejo um machado, o cabo temtalvez, 1,80 m e a lamina de uma lado só tem quase um metro, aquela arma poderia dividir um tanque de guerra ao meio pensei, e em meio aos meus pensamentos as criaturas se aproximam de nós, Damsel faz um movimento suave com as mãos e um circulo de fogo nos cerca, afastando as criaturas por alguns instantes.
- SEU COVARDE – grita o monstro enquanto faz um movimento com o machado para frente, e seus animais gritam, urram, e nos atacam …

 

Enlouqueço…..

Abro os olhos lentamente, tudo esta escuro novamente, silencioso, me sinto zonzo, sem rumo. Levanto cambaleando, ainda não voltei totalmente a realidade. Observo o quarto, existem sinais de coisas quebradas, como se uma energia tivesse empurrado tudo para os cantos, uma áurea negra paira no ambiente. Me sinto com raiva, com ódio, com vontade de gritar, uma agonia queima em meu peito, machuca, arde. Me sinto aflito, tento dar alguns passos e caio de joelhos após o terceiro. Estou fraco, sem forças nem ao menos para gritar, afinal, o que está acontecendo comigo? Que sonhos incomuns são esses que me atormentam, que me enlouquecem. Sinto minhas mãos arderem, como se chamas estivessem flamejando sobre elas, as observo, elas sagram, mas um sangue negro, escuro, assim como o que domina minha alma nesse instante. Sou tomado cada vez mais por algo que eu desconheço, como se um lado sombrio me domina-se, urra-se em mim e tenta-se se sobrepor a mim mesmo. Talvez tenha conseguido, faço um esforço sobre humano e levanto, me escorando nas paredes consigo chegar até a porta da sacada, e a abro. Os gritos que tanto me são familiares tomam minha cabeça, mas estão mais altos, ensurdecedores. Caminho para fora, estou no meio da noite, sinto meu corpo incendiar, uma aflição me dominar, a sensação torna-se insuportável. Olho para dentro do quarto, minhas armas estão lá, no chão, tento me mover até elas, mas caio, continuo rastejando, é como se meu corpo estivesse cada vez mais paralisado, travado, mas eu luto com toda força contra ele, e rastejo mais, cada centímetro que avanço, é como um quilometro sobre as brasas do inferno, finalmente alcanço as armas, pego uma, me faltam forças para engatilhá-la, tento novamente, venço a dor e ouço o som da projétil entrando na agulha, a levo até minha cabeça e tento apertar o gatilho, mas um voz ensurdece minha mente, grita aguda como um alfinete penetrando em meu cérebro, e diz:
- Acha mesmo que seria tão fácil assim?
– Quem raios é você? Deixa-me em paz – grito com todas as minhas forças.
A voz silencia-se por alguns instantes, e depois emana uma gargalhada quase demoníaca, desesperadora, ela entre em minha alma e talvez pela primeira vez em toda vida que me lembro, senti-me louco. A loucura me toma, me domina, levanto mesmo sentido minha alma queimar, cada músculo do meu corpo enrijece , sinto como se cada osso de meu corpo quebrasse, mas ainda assim levanto, caminho para a varanda novamente, a voz continua em minha mente:
– Desista, não vais conseguir, jamais se livrará, é teu dom, é tua missão.
Giro a cabeça freneticamente como se centenas de insetos me infernizassem, mas continuo caminhando, chego ao para peito da varanda, e dessa vez a voz parece desesperada:
– PARE ASRYEL, não vê que é inútil?
– Não serei dominado por você, nem por ninguém.
E me arremesso do parapeito, giro por cima dele e sinto meu corpo despencar, o vento bate em meu rosto e sinto minha força vital se esvair a cada centímetro que despenco.

E finalmente o mundo escurece…..

 

E mais lembranças

Desperto em meio a um grito, abro os olhos e vejo um homem com quase 2 metros de altura, com um elmo rachado e seu crânio em pior estado, caído a minha frente, na verdade, percebo que estou com o pé esquerdo sobre seu peito, e seguro em minhas mãos uma espada, sua lamina suja de sangue esta dividindo o crânio dele. Puxo com força a espada para soltar do crânio dele, e grito, com força, ódio, raiva, uma agonia queima dentro de mim, ouço centenas de vozes em minha mente que gritam uma única palavra: “MATAR”.
Me dou conta que estou em um campo de batalha, a agua cai de forma torrencial, não é uma chuva natural, ela parece mágica, seus pingos ardem ao tocar em meu rosto, já senti esse chuva antes, minha visão esta turva devido a quantidade de água, mas identifico o campo de batalha, um imenso campo aberto, onde milhares de criaturas, humanos e animais lutam como uma guerra entre um formigueiro e outro, o chão é uma mistura fétida de lama, sangue e corpos que jazem mortos, no céu, flechas, pedras e relâmpagos explodem de um lado para o outro, sinto meu corpo arder, estou usando uma cota de malha, ela é leve, olho rapidamente por cima de meu ombro, e as vejo, asas, estou sonhando novamente? Antes de retornar desse pensamento, ouço um choque entre espadas a minhas costas, giro e vejo Nohahiel com sua espada bloqueando o golpe de um martelo que vinha em minha direção, por puro reflexo, estoco minha espada no estomago daquele que me ataca, e uma terceira espada o decapita por suas costas, quando o corpo cai, vejo quem o acertou, o anjo loiro, o mesmo que a alguns instantes estava na varanda de meu apartamento, ele sorri pra mim e grita:
– ABAIXE.
Obedeço sem nem ao menos terminar de ouvir a palavra, e vejo Nohahiel girar sua espada e dividir um lobo que saltou sobre mim ao meio, não ouve tempo nem sequer de ganir, caiu morto, ele riu e disse:
- Kaladriel, você já foi mais rápido – e soltou uma grande gargalhada
- Estou cansado salvando a vida de vocês desde o começo da batalha – e riu junto de nohahiel.
Kaladriel… o nome me soa familiar, como quando ouvi o de Nohahiel pela primeira vez, é como se eu os conhece a muito tempo, mas minha mente é uma confusão pura, consigo apenas sentir uma empolgação, uma adrenalina forte, se juntando a raiva e ao ódio, e então, sinto como se algo gelado e frio viesse e direção a minha cabeça, de baixo para cima, e eu soube que era uma espada que vinha para me matar, e como um instinto de sobrevivência, proferi duas palavras em uma língua que eu desconheço, e uma áurea negra me envolveu, foi como se ela brotasse do chão e toma-se todo meu corpo, senti a espada mais próxima e apenas levantei a minha para bloquear o golpe, me virei e vi um homem, em uma armadura fechada, de guerreiro medieval, gritando como se tivesse concentrado toda sua força para me matar, ri daquilo, e tive a sensação de pena, como se achasse aquilo patético demais para ser verdade, como um ser inferior daqueles ousou tentar me matar? E como se eu soubesse exatamente o que estava fazendo, levei minha mão esquerda na direção do peito do homem, ela parecia ser apenas uma fumaça negra, a mão fria de um espectro, atravessou então a armadura e senti-a atravessando a carne e pude segurar os ossos de suas costelas, ouve o homem gritar como se fosse dor mais insuportável do mundo, e tive a certeza de que era quando puxei minha mão de volta, trazendo todo esqueleto do homem, e deixando o corpo dele caído, transformado em uma bola de carne e ferro sem vida. Soltei o esqueleto e ele caiu ao lado do corpo, formando uma pilha de ossos ensaguentada. Eu era puro ódio, pura energia e derepente eu sabia o que estava fazendo, conhecia meus limites e sabia ultrapassa-los, olhei para os dois anjos, meus olhos brilhavam verdes, como duas esmeraldas refletindo os raios de sol de outono e sorri, e por isso Kaladriel falou:
- Você sempre tem que radicalizar não? – falou torcendo o nariz
- Eles não merecem nossa paciência, merecem? – respondi serio
Kaladriel riu alto enquanto estocava a espada em um lobo que saltava sobre nós, Nohahiel também ria, e embora estivéssemos em uma batalha matando e retalhando, percebi que nos divertíamos.
Mas nossos risos logo cessaram, pois vi centenas de criaturas aladas despontarem no céu, como cavaleiros do apocalipse atacando ao som de berrantes bestiais, eles voaram em nossa direção e baixo, me abaixei ao se aproximarem, escapando assim de um golpe em meu rosto, consegui então, ver que alguns eram cavalos alados brancos, como se fossem montarias de anjos celestiais, e outros cavalos alados negros, cuspindo fogo , como se fossem montarias de bestas infernais, todos eram montados por cavaleiros com armaduras e espadas, meros humanos, mas por causa da minha distração, um cavalo branco acertou o casco em minha cabeça durante um rasante me jogando longe, e antes de cair no chão, lembrei-me de algo que me fez sorrir como um bobo:

Eu sempre odiei cavalos.

 

Lembranças

Desperto com uma dor de cabeça extremamente forte, tenho a impressão de possuir um alfinete atravessando meu cérebro, abro os olhos, tudo esta escuro, quieto, sem vida. Estico a mão para tentar alcançar meu celular, olho as horas e ele marca 2:30 am, será que não há um dia sequer que eu consiga dormir em paz? Reflito por um instante e concluo que não, levanto, afinal de nada adianta ficar rolando na cama, caminho até a varanda do apartamento, abro a porta de vidro, e a noite mais uma vez me domina, o tempo esta fechado, raios explodem ao longe, a noite se torna dia por alguns instantes, e, por alguns momentos sinto a raiva dentro de mim crescer, não sei bem o motivo, talvez eu sinta isso por querer ser como qualquer outra pessoa, ou talvez porque a insônia tem me consumindo a tanto tempo, que estou começando a perder o controle sobre meus sentidos, ou talvez eu esteja de mau humor apenas. Acendo um cigarro, já fiz meu trabalho, tenho apenas que receber, e chega, acho que é hora de parar e tentar achar um rumo… porem, já tentei isso tantas vezes, eu deveria desistir de tentar ir contra o mundo, talvez fosse mais fácil. Jogo o cigarro longe, não estou bem nem para fumar, caminho até a cozinha e procuro uma aspirina, encontro e a engulo de uma vez, na ilusão de que ela faça efeito. Algo não esta certo hoje, me sinto agoniado, o silencio, a noite, estou inquieto, sinto algo diferente, uma ansiedade, que cresce a cada instante, enlouqueci finalmente? Por reflexo eu me visto, meus trajes ainda estão comigo, me armo, pistolas no coldres, uzi na mão e uma agonia no peito. Minha respiração fica pesada, rápida, me sinto ofegante praticamente, me sento na cama, minhas forças estão se esvaindo, inferno, o que isso, sinto calor, muito calor, não consigo respirar mais, caminho cambaleante até a sacada, e então sinto meu corpo se incediar por dentro, sinto vontade de gritar, mas me seguro, uma neblina negra escapa por entre meus dedos, e ela queima, arde, me sento sem forças para levantar.
- Arde não é? – ouço uma voz me dizendo isso, levanto a cabeça com esforço e observo o mesmo rapaz loiro do ônibus sentado no parapeito da sacada.
- Quem é você? – pergunto com dificuldade
- Só esta começando – diz ele olhando para mim
- O que esta acontecendo comigo? – pergunto praticamente em estado de choque
- Você esta despertando, demorou, mas esta despertando – diz ele novamente, e só então meus olhos percebem que ele possue asas. Enlouqueci, será que estou sonhando, penso comigo mesmo
- Isso vai piorar, mas você vai lembrar como controlar, o pior é quando elas resolvem sair – diz ele apontando para suas asas – você sente cada músculo rasgando, cada nervo rompendo, cada veia estourando. Não tenho forças para dizer mais nada, sinto meus olhos adormecerem, minha visão fica turva, em minha luta desesperada para me manter acordado, vejo o anjo levantar e colocar a mão em meu ombro, tenho a impressão de vê-lo ser envolto por uma áurea azul e pronunciar algumas palavras em uma língua que não compreendo,
e de nada mais eu lembro, porque nesse momento, eu desmaiei.

 

Não abandonei

Salve pessoas

Não abandonei o blog. Só estou bastante na correria, mas daqui uns dias já voltarei a postar normalmente.

Obrigado aqueles que acompanham a historia e tem me cobrado a continuação.

 

Parte II

“Lágrimas escorrem de seus olhos molhados
Velas deretem e marcam com cera o chão
Relâmpagos sibiliam distante
Enquanto trovões urram com todo seu ódio

A água escorre límpida pela janela
Pés descalsos pisam o chão frio
A música toca baixo e sem ritmo
A fumaça de cigarro enche o quarto

As pessoas lá embaixo fogem da chuva
Se escondem daquilo que tu desejas
Não se pode culpa-las
O culpado és tu mesmo

Pedras de gelo caem do céu
E aumentam a fúria dos trovões
Ele grita teu nome
Chegou tua hora… chegou teu momento

A Janela se estilhaça,
Corta levemente teu rosto,
Sentes a chuva gelada
Assim como teu coração…

O cigarro se apaga,
Os cacos se desprendem da janela,
e caem ao seu lado,
Deveis pegá-los

Chegou tua hora.. chegou teu momento..

Teu corpo tomba sobre os estilhaços
Água e gelo caem sobre teu corpo,
A água torna-se vermelha, tinge o chão
Mas ele não está mais frio…

Lágrimas escorrem de seus olhos molhados
Velas apagam e não mais marcam o chão

Foi- se tua hora.. foi-se teu momento…
Adeus…”

 

É hora …X

Começo a subir as escadas, correndo degrau por degrau, não faço som algum, sou apenas um espectro, que emana uma áurea negra fria, cheia de ódio e raiva, após alguns minutos estou no andar devido, me encosto ao lado da porta e a abro vagarosamente, o corredor esta vazio, saio para ele e caminho rapidamente procurando a sala numero 2307, a encontro alguns metros para frente, encosto no trinco e abro silenciosamente, é uma recepção e esta vazia, entro e fecho a porta, caminho passo a passo observando cada canto da sala, estou em um escritório de advocacia, existem varias pequenas salas ali dentro, continuo caminhando lentamente, sem emitir som algum, as portas sempre ficam abertas, passo por 5 delas até encontrar uma com a luz acessa, paro a uma certa distancia, vejo um homem sentando atrás de uma mesa, lendo um documento, fico alguns instantes observando, o tempo passa mais devagar, começo a caminhar em direção a sala, entro sem emitir som algum, e paro a 1 metro da mesa, ele continua lendo, não me viu entrar, ainda não me percebeu, observo por mais alguns instantes, o homem parece ter 1,70m mais ou menos, os cabelos um pouco grisalhos, aparenta uns 45 anos, esta de terno e gravata, e sua concentração me impressiona, quase me sinto mal em interrompe-lo, dou um sorriso após esse pensamento, interrompe-lo, sim, vou interrompe-lo mais do que ele pode imaginar que algum o faria, e então, decido que é hora:
- Dr. Charles Magnus
O Homem olha assustado, sinto o coração dele bater mais forte, o fiz despertar de um transe praticamente, ele me olha por alguns instantes tentando assimilar, sinto seu medo, mas ele mantém a postura, e responde:
– Sim, o que quer?
– Lhe matar – respondo sem tirar o olhar dele, ele estremece, sua pele fica pálida, branca, gélida.
– Do que esta falando? como entrou aqui? Vou chamar a segurança – diz ele demonstrando todo seu desespero, faço meu sobretudo abrir mostrando as armas, ele para de repente, imóvel, quase não respira.
-Porque quer me matar? O que fiz a você?– diz ele então, ainda incrédulo do que esta acontecendo.
– Não fez nada para mim, isso é apenas o meu trabalho– digo, sem me mexer ainda, apenas olhando diretamente em seus olhos e talvez minha frieza o tenha abalado, pois ele agora começa a chorar.
– Eu não mereço morrer, nunca fiz mal a ninguém, sou honrado, trabalhador, dou duro o dia todo para sustentar minha familia – responde em prantos. E nesse momento penso o quanto o ser humano é patético, a que estado de humilhação ele chega segundos antes de sua morte.
– Eu acredito – digo-lhe calmamente.
– Então por que vai fazer isso? – pergunta ainda mais desesperado.
– Porque sou pago para isso. – respondo olhando para uma estatua da Deusa Thémis, o símbolo da justiça.
– Como pode tirar a vida de um inocente por dinheiro? – pergunta ele com raiva, apenas dou de ombros e saco a pistola, ele fica sem voz, não sabe o que fazer, fica sem ação.
– Você nunca mais conseguira dormir a noite, sua consciência vai lhe atormentar pelo resto de sua vida – diz ele chorando, eu suspiro, ele tem razão, ouço todas as noites, as vozes de todos aqueles que matei, seus últimos gritos, seus últimos pedidos, e sorrio.
– A tempos não sei o que é dormir. – respondo quase sorrindo.
– Por favor, tenho mulher e filhos, uma familia, não tem piedade? – diz ele suplicando. Piedade? Penso comigo mesmo, o tempo para, tudo fica no mais absoluto silencio, ouço apenas as batidas do coração dele, levanto a pistola, seus olhos estão cheio da lagrimas, seu rosto esta todo manchando, vai morrer sem saber a causa, sem saber exatamente o porque, ou talvez saiba, eu não sei o motivo, nunca pergunto, não me importo, ouço sua respiração alta, desesperada, é apenas um ser humano se agarrando a vida, piedade? O mundo passa em câmera lenta, levanto a pistola em direção ao seu coração, não sinto nada, meu corpo para de funcionar por alguns instantes, mira, alça de mira e alvo, meu alvo esta a minha frente,pálido, branco e incrédulo
– Não – respondo em um sussurro.
Aperto o gatilho, vejo o projétil deslizar para fora da arma e ir em direção ao seu coração, levanto a arma e aperto novamente e vejo outro projétil deslizar em direção a sua cabeça, o primeiro projétil atinge seu algo, perfura e explode o peito dele, algumas gotas de sangue voam em meu rosto, o segundo projétil atinge sua cabeça, o homem cai de costas, por cima das cadeiras, sem vida, sem expressão, sem alegria, morto, apenas morto. O tempo volta a correr, ouço sons novamente, a vida volta ao mundo, observo por alguns instantes, o corpo jaz sem vida a minha frente, seus olhos me observam como implorando pela vida uma ultima vez, me aproximo do corpo, me ajoelho ao seu lado, fecho seus olhos e digo em voz baixa:
– Esteja em paz.
Guardo a pistola e corro para a janela, abro e pulo no parapeito, fecho ela, ouço pessoas se aproximando da sala, gritos, comentários, vozes, a morte já foi descoberta, preciso sair dali, pulo para o parapeito do andar debaixo e a esquerda, depois para o debaixo e da direita e vou assim por 22 andares até chegar ao primeiro, de lá pulo para o muro, corro por cima dele até a ponta, e pulo para rua, corro para o carro, a rua esta deserta de pessoas, existem apenas alguns carros andando passando na rua, me aproximo da BMW, entro rapidamente, acelero e saio andando pela rua, alguém pode ter me visto no carro, preciso me livrar dele, acelero mais forte, mais rápido desapareço por entre as ruas, 10 km a frente encontro uma ponte, acelero o carro a toda velocidade, pego a uzi do porta luvas, abro a porta e pulo, rolo para o lado da rua e o carro rampa a ponte e cai reto no rio, não o vejo afundar, corro para longe da ponte, pulo alguns muros para cortar caminho e saio a alguns metros da ponte, na direção oposta, finalmente estou em uma rua deserta, tranqüila, respiro fundo e volto a andar vagarosamente, acendo um cigarro e começo a caminhar, guardo a uzi na cintura, meu sobretudo esvoaça e um sorriso brota de meu rosto na noite.

Por que esta é minha verdadeira face, um assassino, um anjo da noite.

 

É hora …IX

:: Estou com problemas no blog, desculpem a demora para postar, ACHO que agora esta normal ::
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- As vezes você me assusta – diz o japones, me fazendo acordar derepente, saindo da embriagues momentanea em que estou.
- As vezes, eu me assusto comigo mesmo, Yamata – respondo sorrindo, um sorriso sem maldade, um sorriso triste e me dou conta que o chamei pelo nome, isso é raro acontecer, muito raro – tenho que ir – digo a ele enquanto saio na direção do carro, ele me segue.
- Tente apenas não morrer ok? – diz ele enquanto pega os controles para abrir o portão.
- Não tenho esse tipo de sorte, meu amigo – respondo e entro no carro, coloco a uzi sobre o banco do passageiro e dou a partida, é hora de caçar, hora se seguir o caminho, hora de ser Asryel.
Saio da casa de Yamata, e sigo meu caminho, tenho que ir para o outro lado da cidade, o trabalho é lá, acelero o carro e ele responde prontamente, o japones tem razão, esse é forte, dirijo por alguns momentos em silencio, deixo minha mente silenciar, deixo minha alma se acalmar, levo a mão ao meu pescoço e puxo um colar, na verdade um fio prata e na ponta um pingente de prata, 1 dragão envolto em uma espada, o observo, não me lembro como o consegui, mas ele me trasmite segurança, uma certa paz, e de repente estremeço, esse pingente é muito parecido com a espada do anjo de cabelos vermelhos que apareceu em meu sonho, Nohahiel, me pergunto porque esse sonho voltou a minha mente, tem que ter algum sentido, preciso achar uma ligação, e decido que depois dessa noite, vou pesquisar algo sobre isso, mas agora não é o momento de pensar nisso, limpo a mente novamente e observo onde estou, divaguei por tempo demais, já estou proximo de meu encontro, relembro o email solicitando o serviço em minha cabeça, tudo certo, continuo acelerando, até encontrar a rua, o bairro não é muito movimentado, isso é bom. Finalmente encontro o local, é um prédio comercial, com centenas de pequenos consultórios, passo em frente a ele, confirmo o local e dou a volta na quadra, estaciono meia quadra para cima do prédio, já é noite, quase não a ninguém na rua, aguardo dentro do carro alguns instantes, até o momento que não haja ninguém na rua, após alguns instantes, ela fica temporariamente deserta, escondo a uzi no porta luvas, desço do carro, aciono o alarme e caminho rapidamente em direção ao prédio, meu sobretudo esvoaça conforme caminho, uma tranqüilidade imensa me domina, continuo caminhando até me aproximar do muro do prédio, olho para os lados por alguns instantes, vejo uma pessoa caminhando em meu encontro, continuo caminhando como se estivesse observando o numero do prédio, a pessoa passa próximo a mim, não fala nada, não olha, são tempos violentos, existe muito medo no mundo, ainda mais de alguém com um sobretudo preto até os pés a esta hora da noite, ela atinge dois passos de distancia de mim, dou um pulo e coloco um dos pés no muro, estico a mão direita e praticamente sem esforço algum, jogo meu corpo sobre ele, caio em pé sobre ele e em seguida me agacho, o muro não é muito alto, mas acabei de virar um alvo fácil, a pessoa que a pouco cruzou comigo, um homem que aparenta uns 40 anos, sente o vento frio e vira o rosto, mas nada vê, pois agora sou um espectro da noite, sou uma sombra, sou um animal caçando em meu habitat natural, começo a correr sobre o muro na direção da portaria e antes de alcançar o final dou um salto em direção ao prédio, ele fica próximo do muro, não mais que 3 metros, me agarro com facilidade ao parapeito de uma janela, balanço meu corpo uma vez e na segunda impulso ele para cima, caio agachado no parapeito, ele é estreito, mas é suficiente para mim. Observo a rua, esta escuro demais para alguém ver um vulto negro sobre o prédio, tento abrir a janela, esta trancada, pulo para a próxima e tento de novo, trancada também, tento uma terceira e também esta trancada, suspiro, fico em pé, me impulsiono e salto com as duas mãos esticadas para cima, alcanço o parapeito de uma janela do segundo andar, jogo minhas pernas também para cima e caio agachado no segundo andar, procuro alguma janela aberta e na segunda tentativa encontro uma, observo lentamente pela janela se existe alguém naquela sala, a luz esta acessa e vejo uma sombra na peça da frente, deve ser um consultório e a recepcionista ainda esta fazendo hora extra, vou para a janela ao lado, parece ser do mesmo consultório, fico em pé no parapeito me segurando pela mão esquerda, estico o sobretudo sobre a mão direita e dou um soco na janela ao lado, quebrando-a, volto rapidamente para o parapeito da janela aberta, vejo a sombra se movendo, abro a janela rápido, entro sem som algum, é um consultório odontológico, caminho até a recepção, a porta esta aberta, a peça ao lado é uma espécie de estoque, vejo uma sombra lá e ouço uma voz feminina:
- Meu deus, o que houve aqui? Sera que foi um passarinho suicida de novo?
- Passarinho suicida? – Penso comigo mesmo, e dou um sorriso, criatividade é tudo na vida das pessoas, dou um salto e rolo pela porta, não emito som algum, paro do lado de fora da porta e me encosto na parede ao lado, o corredor esta vazio, golpe de sorte, vejo a porta de incêndio e corro para ela, abro e entro e me lembro de respirar, as luzes automáticas acendem, me encosto na porta, olho para cima e respiro fundo, tenho de chegar no 23º andar.

 

É hora …VIII

Acelero o carro mais, já estou no centro da cidade, e de repente me dou conta de que ainda estou na rápida, entro na primeira rua a direita e sigo fazendo zig-zag pelas ruas da cidade, encontro uma paralela e sigo para o bairro do “japa”, fica na colônia de japoneses, diminuo a velocidade ao me aproximar dele, entro em alguma ruas e obviamente, me perco, japoneses tem mania de fazer tudo igual, volto para o inicio do bairro, e pergunto onde fica o “japan youshuo”, recebo as coordenadas e sigo para lá, finalmente encontro o restaurante, sigo algumas quadras acima e encontro a casa dele, paro em frente, buzino e o portão se abre, em seguida a garagem faz o mesmo, e estou dentro de um estúdio improvisado, os portões se fecham e vejo um japonês, de mais ou menos 1,65m, cabelo curto e com aparência de 25 anos, ele vem ao meu encontro enquanto desço do carro e pergunta:
- Deixa eu adivinhar, se perdeu?
- Esse lugar é todo igual, não tem como não se perder – respondo mal- humorado
- Você anda caprichando, esse é forte hein? – diz ele fazendo um gesto com a cabeça apontando para o carro, enquanto arruma os fios da guitarra dentro do estúdio.
- É, ele me molhou – respondo observando a quantidade de fios na espalhados pela garagem.
- bom, eu faria o mesmo se te visse na rua – diz ele rindo, eu apenas o observo e respondo:
- aí eu roubaria teu carro, esta tudo pronto? – pergunto enquanto observo um saxofone, que instrumento esquisito, quem inventou devia ter algum tipo de problema.
- Sempre esta Asryel, sempre esta, entre – diz ele desconectando alguns cabos de uma guitarra e a levando para dentro.
Entro, sua casa é bastante oriental, tem uma decoração tradicional, e até uma mesa daqueles em que nos sentamos no chão a sua volta.
- Escondeu bem dessa vez? – falo, e reparo que o aquário onde ficam suas tartarugas esta imundo e vejo as pequenas criaturas encostadas no vidro, quase que com medo de andar por aquele “vale perdido” – Não acha que deveria limpar o aquário de suas tartarugas?
- tartarugas? – pergunta ele fingindo um susto – eu pensei que eram caranguejos, isso explica porque não gostaram do mangue que eu fiz – diz ele enquanto guarda a guitarra em uma capa, eu apenas observo e balanço a cabeça: – Mangue? Essa é boa – penso comigo mesmo, ele vê minha expressão e diz:
- o que foi? Tartaruga, caranguejo, tudo igual. – diz ele rindo, apenas suspiro.
Ele entra em seu quarto, abre o armário e começa a procurar em alguma coisa, eu apenas pergunto:
- Você não disse que tinha escondido bem?
- E escondi – diz ele – quer lugar melhor que meu armário? Acha que alguém é louco de mexer ali?
Penso por alguns instantes, faz muito sentido, capaz de se mexer ali, e ser picado por uma aranha, ou coisa pior, me preparo para responder e ele diz:
- brincadeira, só estou procurando a chave.
- Chave do que ? – pergunto enquanto sento da cama.
- da minha gaveta? – diz ele quase dentro do armário
- o que a chave da sua gaveta tem haver com minhas coisas?
- nada horas, tuas coisas estão embaixo da cama, puxa ai. – diz ele completamente dentro do armário.
Eu suspiro, balanço a cabeça, não sei dou risada ou uma porrada nesse japonês maluco, ma agacho ao lado da cama e antes de colocar o braço embaixo dela, pergunto:
- tem algo que possa me morder aqui embaixo?
- acho que não – grita ele de dentro do armário
Estico a mão e alcanço uma alça, puxo e vem minha mala, ela é preta e bastante grande, tem uma combinação, coloco minha senha e ouço o clique da trava sendo aberta, abro a mala, e meus olhos brilham, todo meu equipamento esta ali. Duas pistolas semi automáticas, e uma uzi, minha roupa negra, meu sobre-tudo também preto, botas e luvas também negros e meus coldres, abano a cabeça, eu devia ter parado, ignoro meu pensamento, e me visto, calça e blusa primeiro, depois as botas, meu coldres, um do lado direito e outro do lado esquerdo, as pistolas ficam na altura de minhas coxas, a uzi levo na mão mesmo, visto meu sobretudo e paro em frente ao espelho e me observo,
- Achei a cha… – o japoneis interrompe a frase, me olha alguns instantes e sussura– o anjo da noite voltou.
Nada respondo, não é necessário, sem tirar os olhos de meu reflexo no espelho, engatilho a uzi, e giro sobre meus calcanhares, fazendo o sobretudo esvoaçar, meus olhos brilham com maldade e ódio, mas meu rosto se esconde na sombra da noite, deixo um sorriso brotar em meio a ela, e ele me denuncia.

Por que Asryel, o anjo da noite esta de volta.