Acho que isso quer dizer que eu sinto muito
eu estou parado em sua porta
Acho que isso quer dizer que eu volto atrás
No que eu disse antes
Como o quanto eu queria
Qualquer uma, exceto voce
Disse que eu nunca voltaria
Mas aqui estou eu novamente

Porque eu acho que nós pertencemos um ao outro agora
De alguma forma unidos aqui, para sempre
Você tem um pedaço de mim
E, honestamente
Minha vida seria uma droga sem você

Talvez eu tenha sido burro por te dizer adeus
Talvez eu tenha errado por tentar entrar numa briga
Eu sei que eu tenho problemas
Mas você também é complicada
De qualquer forma, eu descobri que eu não sou nada sem
você

Porque eu acho que nós pertencemos um ao outro agora
De alguma forma unidos aqui, para sempre
Você tem um pedaço de mim
E, honestamente
Minha vida seria uma droga sem você

Estar com você é tão disfuncional
Eu realmente não devia sentir sua falta, mas eu nao posso deixar você ir.

Porque eu acho que nós pertencemos um ao outro agora
De alguma forma unidos aqui, para sempre
Você tem um pedaço de mim
E, honestamente
Minha vida seria uma droga sem você

 

Indiferença

“Ele” caminha perdido, andando lentamente em meio a empurrões e confusões, pessoas gritando e correndo, desesperadas tentando chegar a lugar algum. Mas “ele” continua caminhando lentamente, não há pressa, não há sorrisos, não há tristeza, não há frenesi, há apenas uma calma permanente, com um cigarro acesso, e um mp3 player barato tocando “hang on”, observa distraidamente o céu, o alvorecer, mas é indiferente, o acha impertinente.

Continua caminhando, se encosta no ponto de ônibus e aguarda. Não há muito o que fazer além de esperar e observar a um casal brigando dentro de um carro, talvez recém-casados ou apenas namorados, quem sabe?, eles gritam, gesticulam e gritam de novo.

“Ele” continua observando indiferente, e ela grita alto, tão alto que se ouve ao longe:

- Você é a pior coisa que me aconteceu na vida.

Ela desce irritada do carro, bate a porta com força, como se quisesse trancar seu desafeto lá para sempre, o carro arranca, cantando pneu, demonstrando o quanto seu dono está furioso. Ela passa correndo, se esvaindo em lágrimas
e senta em um banco da praça proximo ao ponto do ônibus, se desespera, levanta como se tivesse prestes a correr atrás do carro, mas desiste, e senta chorando novamente.

“Ele” a observa indiferente enquanto acende outro cigarro e muda a musica de seu mp3 para “heartbeats”. Ela nota que é observada, respira fundo como tentando absorver o choro, mas se engasga no meio dele, abaixa o rosto entre as mãos e o ergue, como se estivesse firme, tentando dizer para um desconhecido, “foi uma fraqueza, estou forte de novo”. Ela o encara,
seus olhos profundos, os quais “ele” não identifica a cor, e assim ficam por alguns instantes, quando o carro em que a pouco ela estava, pára a frente
do banco e seu dono desce, arrependido, talvez por perceber que estava prestes a perder a mulher de sua vida, ou apenas por lembrar que ela é boa de cama.

Ela levanta e ameaça ir embora, e seu, agora afeto, a segura, a puxa e a beija, estão calmos, conversam, não mais discutem. Fizeram as pazes talvez, ou deixaram para discutir outro dia, isso cansa.

“Ele” tira uma goma de mascar do bolso e continua parado observando, indiferente. Os dois agora são um casal apaixonado, como se fossem
namorados recém-iniciados, pedem desculpas um ao outro (talvez) e trocam juras de amor eterno que duram até a proxima briga. Ela pula no pescoço do namorado, ou seja lá o que for, e o abraça forte e demoradamente.

“Ele” continua com sua face inexpressiva, mascando sua goma enquanto eles caminham em direção ao carro, mas antes de se sentar, ela olha firme e longamente para “ele”, dá um sorriso indecifrável e penetrante e, após alguns segundos, fecha porta.

Ele retribui o olhar, sem face, inexpressivo, troca a música de seu mp3 para “bettersweet symphony”, e quando o carro arranca, ele baixa a cabeça e finalmente sorri, para si mesmo.

 

Velocidade

Ao som de “Enter Sandman” ele pisava fundo no acelerador, gostava de ouvir seu motor V8 rugir como um monstro desses de filme, na pista da esquerda na BR, com a seta ligada o tempo todo pedindo passagem, sentia a potência do carro transpassar para suas mãos transformando carro e motorista em uma só coisa, dançando na pista a 180 km/h estava apenas começando a mostrar do que era feito. Ah, a velocidade! Não bastava ser rápido, não bastava ser o mais rápido, ele queria sentir que encontrou seu limite, e ultrapassá-lo, ir além, muito além dele.

A música toca – “Seek and Destroy” – o carro mais rápido beirando os 200 km/h. Ele não enxergava nada ao seu lado, aliás, não ousava olhar para os lados, mal respirava, adrenalina alta demais, força e potência, mais potência, pisou mais fundo e então nota mais um carro. Indo pela pista da direita, o estava alcançando, uma gargalhada, e pisa mais fundo, 235 km/h, o carro ao lado acompanhando e os motores gritando tão agressivos quanto tornados saindo de uma feroz tempestade.

O carro ao lado grita mais forte, e abre uma pequena distância, outra gargalhada, ele agora era pura adrenalina, sentia o sangue correr em cada veia, ouvia cada peça do motor trabalhando, cada gota de óleo circulando no motor, cada pingo de gasolina explodindo enquanto a velocidade aumentava para alcançar o carro ao lado, 260 km/h foi o suficiente para ultrapassá-lo. Sua mente estava livre, somente a velocidade, não ouvia, não via, apenas sentia a velocidade.

Mas a música muda, “The Unforgiven II”, ele agora a ouvia, distante no meio do som do motor, o carro ao lado diminui rapidamente, ele ri, foi mais rápido, mas isso não é suficiente, e então o tempo para, os 260 km/h passam em câmera lenta enquanto ele vê uma curva ao longe, consegue pensar mais rápido que isso, achou seu limite, era hora de ultrapassá-lo, pisou mais, e o motor faz seu último esforço desesperado para atender a seu mestre, ruge como se fosse explodir, e trava seus 268 km/h, ele ultrapassou seus limites, se superou e ria enquanto via a curva se aproximando.

Pode ver cada capotagem que o carro fez, ouviu cada pedaço de mental entortar, cada vidro estourar, cada peça do motor quebrar, viu tudo em câmera lenta, enquanto sentia alguns ossos quebrarem e pedaços de metal o atravessarem até o carro finalmente parar, esmagado com as rodas para cima. Um grande silêncio paira. Ele quase não respira. Não se mexe, o corpo inteiro dói. Sente sangue escorrendo pela boca, caindo em seus olhos, que veem tudo invertido agora. Mas ele sorri e gargalha. O som quase destruído agora toca “Nothing else matters”.

E nada mais importa, por que ele conseguiu o que queira.

Uma noite ruim

Ela acorda irritada, sem cobertor de novo, olha para o lado e lá está seu parceiro, enrolado como em um casulo, roncando alto, de costas para ela.

Levanta brava, como ele a irrita, ele é apenas a gota d’água, está sem paciência consigo mesma. Caminha até a cozinha, está abarrotada de louças, apenas suspira desanimada e procura um copo para tomar água, mas descobre que não há nenhum limpo, desiste, vai até a sala e abre a janela. Fica lá parada observando a rua deserta, mais especificamente o nada.

Reflete sobre si mesma, e se pergunta: “o que aconteceu comigo?”, tinha tantos sonhos, ilusões, planos. Queria ser médica, cardiologista para ser exata. Estudar muito, se tornar referência, ser a melhor, viajar para lugares desconhecidos levando conhecimento, ajudar as pessoas, ajudar humanidade. Ir para África talvez? Fazer a diferença, mostrar ao mundo quem ela era.

Mas ao invés disso, preferiu acreditar em juras de amor eterno, da perspectiva de uma vida de realizações a dois, de um mundo romântico e regado a rosas e flores pelo seu caminho. Abriu mão de tudo, afinal para algo assim dar certo, são necessários sacrifícios, cujos quais serão recompensados por novos horizontes, um novo dia a cada alvorecer, uma nova cumplicidade e o mesmo amor e paixão do primeiro dia em que seus olhares se cruzaram.

Trocou seu jaleco branco de médica por um vestido branco de noiva, trocou seu árduo caminho para a realização de um sonho por um tapete vermelho em uma igreja, trocou os gritos de um povo em sofrimento pelas músicas agitadas da festa de casamento, trocou as bençãos de agradecimento de pessoas que ajudaria a salvar pelo sorriso feliz dos convidados, trocou sua alma livre e destemida por um mundo modesto e feliz.

Mas seu mundo feliz aos poucos desmoronou, a colação de grau no curso agora escolhido em conjunto, não foi a realização pessoal, foi um alívio por se livrar de algo que aprendeu a ter raiva. A tortura de acordar dia após dia para trabalhar e se trancar naquele cubículo fechado a enoja, e os fins de semana antes tão românticos e promissores, hoje são feitos de futebol na televisão e programas de “emburrecimento cultural”. A rotina impera e tudo é previsível, tão previsível que sua fuga é dormir e sonhar, dormir não pelo cansaço, mas para ficar mais tempo longe de sua realidade.

Suspira na janela de novo e uma lágrima escorre de seu rosto, e ao longe ouve uma voz: – Amor, está tudo bem?

Essa voz quase a faz pular pela janela de desespero e raiva, mas se segura e responde: – Está, só não aguentava mais ouvir você roncando. – Eita mau humor hein? – ele responde mal-humorado.

Ela fica em silêncio, “mau humor?” pensa num misto de raiva e tristeza, ele destruiu sua vida, a fez abandonar sonhos, lhe prometeu felicidade, lhe prometeu uma vida que não é esta. Monstro insensível, aliás, monstro é um elogio, ele é algo pior.

Ainda brava ela caminha para a cama novamente, onde ele agora parou de roncar, mas antes de entrar no silencioso quarto, ela se encosta na porta e por um instante se volta a realidade. Ele nunca prometeu nada, ela imaginou essa vida, ele não a fez desistir, ela desistiu, ela teve medo do mundo novo e incerto, ela teve medo do duvidoso e resolveu se esquivar atrás de uma vida mediana e desanimadora.

Deitou novamente, e puxou seu lado do cobertor, de costas para seu parceiro, olhou o calendário ao lado da cama, suspirou de novo e pensou:

- TPM maldita.

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Presságios

Certa vez me disseram, que ver um corvo voando solitário no céu é um bom presságio , mas que ver vários, é sinal de sofrimento. Nunca dei atenção para essas coisas, mas naquele dia vi um sobrevoando o prédio em que eu trabalhava e por alguns instantes sorri, um sorriso fraco e sem forças, e alguns segundos depois vi 6 deles, e enquanto eu refletia sobre o quão sem sentido era essa crença, ouvi uma batida na janela do meu carro.

- Tudo bem Dr? – perguntou minha secretária , que me aguardava a quase 15 minutos na entrada do saguão.
- Sim sim – respondi – estava distraido.
- A reunião começa em 10 minutos. – disse ela com um certo nervosismo.
- Obrigado, já estou subindo – respondi com minha habitual calma.

Eu podia entender o nervosismo dela, era o que eu deveria estar sentindo, afinal, essa reunião definiria que eu seria, tudo que fiz até hoje em minha carreira e em minha vida era com o objetivo de ali onde eu estava.

Ao longo de 25 anos abri mão de toda minha vida em função da minha carreira, da minha realização profissional. Deixei de sair,abandonei amigos, perdi casamentos, perdi festas, alegrias, perdi os primeiros passos de meus filhos e todo resto que não me lembro. Minha esposa reclama dia após dia que nunca estive ao lado dela, que ela nunca soube quem eu era de verdade. Mas nada disso nunca me importou. Até a manhã de hoje, quando vi os corvos.

O caminho até a sala foi imenso, a cada passo via um ano de minha vida passando à minha frente, e me assustava o quão rapido eles passavam e que tão poucas lembranças eu tinha deles.

O nome de meus amigos a muito se perderá, e a pessoa mais proxima de mim era minha secretária, a qual conhecia meus compromissos e apenas isso.

A sala de reunião finalmente chega, todo conselho da maior empresa que conhecia estava reunido, e ao contrario do que todos pensariam, eles estavam nervosos, pois eles dependiam de mim.

A reunião começa, e faço o que sei fazer, mostro que salvei a empresa e que acima disso, a tornei mais poderosa do que qualquer acionista poderia sonhar, e obviamente, me tornei mais poderoso do que a empresa, afinal, eu era a empresa.

E assim virei, por aclamação o presidente e maior acionista dela, tendo finalmente alcançado o que eu queria.
Sem um sorriso no rosto, sai da sala e me dirigi a minha sala nova, muito embora eu já tivesse tomada conta dela a muito tempo. Ao entrar nela, uma carta, caminho até a imensa varanda da sala, e a leio, era de minha esposa, agora ex, dizendo: “Estive ao teu lado por todos esses anos, mas voce nunca esteve ao meu, nem ao de ninguem, sei que conseguiu finalmente o que queria, sei que nao esta feliz, nem nunca estará, mas não posso compartilhar disso mais, vou seguir o meu caminho e tentar ser feliz com o que me resta. Seu filho casa amanha. Adeus” E com minha calma de sempre, amasso a carta e a jogo no lixo. Por um instante o sol bate em meu rosto e eu respiro fundo, e penso:
- E agora estou a deriva…
Ouço então minha secretária falando ao interfone:
- Doutor, o jato está pronto e lhe aguardando, mas sua esposa disse que seu filho casa amanha, quer que eu cancele seu compromisso?
Permaneço mais alguns segundos na varanda enquanto vejo os mesmo 7 corvos sobrevoando a minha frente, os contemplo em silencio, vou até o interfone e respondo:
- Não, apenas mande um presente a ele, já estou descendo. – respondo frio e sem expressão.

“Um corvo voando solitário no céu é um bom presságio , mas vários, é sinal de sofrimento.”

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ZERO

“ZERO” é o numero de ideias que ele tem agora. “É hora de tomar um rumo”, pensa ele, agora um recém formado, mas qual rumo? A ideia imposta pela sua ideologia de criação é clara e simples. Estude, tenha um bom emprego, case, tenha filhos e aquela balela toda que ele ouve desde que nasceu. Mas isso soa patético, desesperador. Acordar, ir para o mesmo local, passar 8 horas, voltar, sentar na frente da tv, dormir e assim os dias se passam um após o outro.

“Não”, pensa ele, “Não quero isso”. Qual o outro caminho então? Ser altruísta, um heroi, ser admirado pela coragem, por ajudar, por lutar pela liberdade de um povo oprimido. Parece uma boa visão, mas a vida não seria dele, seria doada em função de outros. Ghandi, Madre Tereza, Luther King fizeram isso, mas ele não, tem apenas uma vida, ele não quer disperdiçá-la sendo bom com os outros.

“Poder, é isso que preciso”, pensa ele, ter ferrari’s, mansões, mulheres, dinheiro ilimitado. Sim, é isso que ele quer. Mas, a menos que tenha nascido virado para lua, só se consegue poder com trabalho, esforço, jogos de poder. Isso é cansativo demais, e provavelmente quando ele conseguir, já estará velho demais para aproveitar, isso se conseguir.

“Viajar” é o que lhe resta. Conhecer o mundo, “trabalhar” o suficiente para ir de um lugar para o outro, entrar para uma ong vez ou outra para “ajudar”, mentir para as mulheres que tem “poder e fama” e assim viver, sendo único, destemido, ter tudo e não ter nada. Sim, é isso que ele quer, ser livre, sem amarras, sem compromissos, com desafios dia após dia, viver intensamente. Ele não quer estar na média, se mediano é ser medíocre.

“É hora” de por em prática, junta as economias, pede ajuda para os pais, mas o dinheiro não dá nem para o começo, faz um empréstimo no banco, afinal, vai para longe, vai ser livre, e não pagará juros, aliás, não pagará a dívida.

“Tudo pronto”, finalmente ele embarca em um avião, o mp3 ligado por baixo do moletom e do capuz, para ser rebelde até mesmo com a aeromoça, o avião decola e ele respira fundo. “Lá vou eu mundo” e finalmente ele sente que achou seu rumo.

“Fortes Turbulências” é o que o comandante diz da cabine, o avião treme mais que o normal, e a turbina direita, de repente se incendeia. Ele entra em desespero, se arrepende de tudo, queria todas as outras hipóteses, menos aquela, queria estar na média, mas não está. Em parte, isso o faz se sentir menos pior.

“ZERO” é o número de sobreviventes do avião, uma “média” de 40 pessoas morreram na queda, o restante  afogadas.

e finalmente, a sanidade

O primeiro lobo pula o fogo em direção a Damsel, ela o empura com uma bola de fogo e explode mais duas em dois lobos que nos circulam, mas os animais a encurralam cada vez mais, ela tenta me proteger, ergue novamente uma barreira de fogo, e diz:
Fique atrás de mim Asryel, e controle-se, não se deixe levar.
Ao terminar a frase, um dos animas atravessa a bareira, e mesmo em chamas a morde no braço, a força é tanta que ela fraqueja enquanto grita de dor. A barreira de fogo diminui, e o circulo a muito se desfez e isso nos deixa vulneraveis. Então novamente ouço a gargalhanda daquele ser bizarro, e ele diz em sua potente voz:
É isso Asryel??? vai deixa-la morrer?
A voz dele me enfurece, e sinto raiva correndo em cada veia de meu corpo, sinto meu corpo arder, incendiar, a dor é insuportavel, mas a raiva em mim me faz querer mais, sinto a mesma neblina negra desprendendo de minhas mãos e envolvendo meu corpo.
Asryel, não… – ouço a voz chorosa de Damsel, mas é tarde demais.
A nevoa me envolve por inteiro e sinto cada musculo e nervos de minhas costas rasgando, a dor é lascinante, meus olhos ficam verdes, como duas esmeraldas, me ajoelho pela dor, e sou obrigado a gritar, tão alto quanto o som de um trovão. O céu estreme, nuvens e raios desmoronam deles, e finalmente a dor diminui, e neblina se dissapa aos poucos, ficando apenas como uma nevoa em torno de mim, e sinto minhas costas pesadas, não preciso olhar para saber que finalmente tenho asas, levanto meu rosto e observo aquele ser, ele tem um sorriso insano , seus lobos recuam, sinto medo neles, sinto o desespero e isso me inebria.
não… – damsel diz , mas o aquele ser grita
Finalmente voltou, lord Asryel – diz meu nome com escarnio – Vão – grita novamente a seus lobos, que exitam por um instante mas em seguida me atacam.
Mal preciso me mexer, um deles pula em minha direção, eu apenas seguro com uma mao e o estrangulo, com um movimento suave, aquela fumaça negra sai da minha mão e envolvo dois deles nela, os ouço agonizar e me sinto mais forte, dois deles tentam pular ao mesmo tempo em mim, mas alço voo e ambos mordem o vazio, giro cada uma de minhas mão para cada lobo e aquela nevoa se torna firme, como uma extensão de meu braço, e de um eu esmago a cabeça, do outro jogo quebro todos os ossos, por fim, volto ao solo, o ultimo lobo me circunda, não me movo enquanto ele pula sobre mim, mas antes de me alcançar, ouço um ganido, pois com a sombra dele, fiz tres pontas de lança que o atravessaram e o deixaram empalado a minha frente.
Meu olhar se volta para aquele monstro, não sinto nenhuma sensação dele, ele é como uma pedra, e então pergunto:
O que quer de mim?
O que todos querem – responde rindo, ele levanta o machado e corre em minha direção, quando esta proximo a mim, desfere o golpe, mas eu seguro o machado com facilidade na mão esquerda, minha mão se transforma em nevoa enquanto atravesso seu corpo, segurando em suas costelas, e dele percebo uma sensação de paz, o olho nos olhos e ele apenas me diz.
Obrigado
Puxo minha mão e arranco todo esqueleto atraves da carne, não a tempo dele gritar, os ossos se soltam em minha mão, e agora tudo que resta daquele ser, é um bolo de carne e ossos no chão.
Observo Damsel caída sangrando no chão, caminho até ela e a olho em seus olhos, ela vira o rosto, e sinto o medo em seu coração, e apenas uma frase sai de minha boca:
– Quero respostas…..

 

Enlouqueço a cada instante

Acordo novamente, com gosto de sangue na boca, giro o corpo com um esforço fora do comum, e cuspo, sangue, apenas sangue… olho em volta, estou na cobertura do meu prédio, saco, o que houve dessa vez? Começo a ficar irritado com essas confusões mentais, meu corpo arde, uma sensação que beira o insuportável, tento me sentar e não consigo na primeira tentativa, faço força novamente e finalmente consigo.
- Se você já tivesse despertado, seria normal pular de um prédio, mas na forma humana, chega ser estúpido. – ouço a voz vindo de um canto escuro atrás de mim, uma voz feminina, suave, me viro rápido na direção dela, meu pior erro desde que acordei, vomito sangue e fico sem ar por um bom tempo, com a respiração ofegante, sou obrigado a me deitar novamente.
- o que houve? – pergunto, sem mais importar em achar lógica nisso tudo.
- esperava que você me disse-se isso. – responde a voz misteriosa.
Fico sem resposta por um tempo, e antes de falar algo, sinto um valor me envolvendo e por um instante, me senti livre, me senti como se todo o inferno que é minha vida sumisse, e após isso, minhas dores pararam. Minha respiração volta ao normal, e me sento cauteloso, mas felizmente não sinto mais dor.
- Se eu perguntar quem é você, vai acontecer algo estranho? – pergunto cauteloso. Ouço uma risada, e então tenho uma surpresa. Parada a minha frente, esta a garota que encontrei chorando no ônibus, agora sorrindo, com o mesmo sorriso que me hipnotizou no ônibus, e de novo me sinto hipnotizado, parado, sem reação diante dela. Apenas a observo, enquanto ela senta com as pernas cruzadas como uma indiana a minha frente.
- Sou alguém que a muito te espera. – responde ela sorrindo, e eu suspiro, mais enigmas, mais coisas que não entendo, ela percebe minha reação e diz:
- Meu nome é Damsel. E acho que no momento, você precisa saber apenas isso – diz ela olhando em meus olhos, seus olhos são castanhos, e me transmitem paz, tranqüilidade. Me levanto, não quero me apaixonar por um olhar, por alguém que não conheço, por um enigma, ela se levanta também, e sou obrigado a nota-la, seu corpo perfeito, magra, alta, sua curvas acentuam seu corpo esguio, os cabelos castanhos soltos se mexem por causa do vento, seus lábios transmitem um sorriso sereno e seu olhos me prendem por alguns instantes, noto , logo acima de seus seios, um pingente em forma de dragão, como os que tanto vejo em meus sonhos, e novamente suspiro.
- Asryel, precisamos sair daqui. – diz ela subitamente assustada
- Como sabe meu nome? – pergunto desconfiado.
- Agora, isso não tem muita importância – diz ela olhando furtivamente para todos os lados como se estivesse prestes a cair em uma armadilha.
- Como n..
- ABAIXE – grita ela derepente, e eu obedeço sem pestanejar.
Ouço um grito, como de um lobo e das mãos de Damsel um brilho forte e branco emana, atingindo uma criatura que estava pulando em minha direção, a criatura voa longe e vejo me dou conta de que estamos cercados, 8, 10 lobos estão girando em torno de nós, como se estivesse caçando uma presa perigosa, esses lobos são os mesmos que vi em meus sonhos, e sinto um medo terrível, olho para damsel, seus olhos passaram de serenos para selvagem, ela dá um passo a minha frente, como se estivesse me defendendo e meu corpo se arrepia quando ouço um voz vindo de um parapeito a nossa direita, logo atrás de algumas das criaturas:
- Se esconde atrás de feiticeiras Asryel. Quanta classe. – é a mesma voz que ouvi em meu apartamente antes de pular dele, ela me irrita, meu corpo incendeia por dentro, sou tomado por ódio.
- Sai daqui seu monstro, não vai conseguir mata-lo – diz Damsel em tom de desafio, as criaturas se aproximam e vejo a figura levantar do parapeito e caminhar em nossa direção enquanto diz:
- Mata-lo? Por que eu iria querer matar o anjo da morte? – diz a voz em tom de riso, e me sinto com mais ódio quando ouço sua voz, quase descontrolado.
- Controle-se Asryel – diz Damsel baixo o suficiente para apenas eu ouvir, mas sua voz não me ajuda
- E então Asryel, vai se esconder a vida toda atrás de uma feiticeira, ou vai fugir novamente? – diz ele novamente, e entra em meu campo de visão, então o observo, ele tem meia idade, talvez uns 35 anos, é alto, talvez 2,15 de altura, e é puro músculo, não me lembro de ter visto alguém tão aterrador em meus dias de vida, esta usando apenas uma calça de algodão, rústica, como se fosse de épocas medievais, e sinto seu cheiro podre, como se estivesse em estado de decomposição, seu corpo é cheio de cicatrizes, de batalhas talvez, e seu rosto é marcado por três linhas que vão da testa até o queixo, como se uma das criaturas que comanda o tivesse aranhado, e em suas mãos vejo um machado, o cabo temtalvez, 1,80 m e a lamina de uma lado só tem quase um metro, aquela arma poderia dividir um tanque de guerra ao meio pensei, e em meio aos meus pensamentos as criaturas se aproximam de nós, Damsel faz um movimento suave com as mãos e um circulo de fogo nos cerca, afastando as criaturas por alguns instantes.
- SEU COVARDE – grita o monstro enquanto faz um movimento com o machado para frente, e seus animais gritam, urram, e nos atacam …

 

Enlouqueço…..

Abro os olhos lentamente, tudo esta escuro novamente, silencioso, me sinto zonzo, sem rumo. Levanto cambaleando, ainda não voltei totalmente a realidade. Observo o quarto, existem sinais de coisas quebradas, como se uma energia tivesse empurrado tudo para os cantos, uma áurea negra paira no ambiente. Me sinto com raiva, com ódio, com vontade de gritar, uma agonia queima em meu peito, machuca, arde. Me sinto aflito, tento dar alguns passos e caio de joelhos após o terceiro. Estou fraco, sem forças nem ao menos para gritar, afinal, o que está acontecendo comigo? Que sonhos incomuns são esses que me atormentam, que me enlouquecem. Sinto minhas mãos arderem, como se chamas estivessem flamejando sobre elas, as observo, elas sagram, mas um sangue negro, escuro, assim como o que domina minha alma nesse instante. Sou tomado cada vez mais por algo que eu desconheço, como se um lado sombrio me domina-se, urra-se em mim e tenta-se se sobrepor a mim mesmo. Talvez tenha conseguido, faço um esforço sobre humano e levanto, me escorando nas paredes consigo chegar até a porta da sacada, e a abro. Os gritos que tanto me são familiares tomam minha cabeça, mas estão mais altos, ensurdecedores. Caminho para fora, estou no meio da noite, sinto meu corpo incendiar, uma aflição me dominar, a sensação torna-se insuportável. Olho para dentro do quarto, minhas armas estão lá, no chão, tento me mover até elas, mas caio, continuo rastejando, é como se meu corpo estivesse cada vez mais paralisado, travado, mas eu luto com toda força contra ele, e rastejo mais, cada centímetro que avanço, é como um quilometro sobre as brasas do inferno, finalmente alcanço as armas, pego uma, me faltam forças para engatilhá-la, tento novamente, venço a dor e ouço o som da projétil entrando na agulha, a levo até minha cabeça e tento apertar o gatilho, mas um voz ensurdece minha mente, grita aguda como um alfinete penetrando em meu cérebro, e diz:
- Acha mesmo que seria tão fácil assim?
– Quem raios é você? Deixa-me em paz – grito com todas as minhas forças.
A voz silencia-se por alguns instantes, e depois emana uma gargalhada quase demoníaca, desesperadora, ela entre em minha alma e talvez pela primeira vez em toda vida que me lembro, senti-me louco. A loucura me toma, me domina, levanto mesmo sentido minha alma queimar, cada músculo do meu corpo enrijece , sinto como se cada osso de meu corpo quebrasse, mas ainda assim levanto, caminho para a varanda novamente, a voz continua em minha mente:
– Desista, não vais conseguir, jamais se livrará, é teu dom, é tua missão.
Giro a cabeça freneticamente como se centenas de insetos me infernizassem, mas continuo caminhando, chego ao para peito da varanda, e dessa vez a voz parece desesperada:
– PARE ASRYEL, não vê que é inútil?
– Não serei dominado por você, nem por ninguém.
E me arremesso do parapeito, giro por cima dele e sinto meu corpo despencar, o vento bate em meu rosto e sinto minha força vital se esvair a cada centímetro que despenco.

E finalmente o mundo escurece…..

 

E mais lembranças

Desperto em meio a um grito, abro os olhos e vejo um homem com quase 2 metros de altura, com um elmo rachado e seu crânio em pior estado, caído a minha frente, na verdade, percebo que estou com o pé esquerdo sobre seu peito, e seguro em minhas mãos uma espada, sua lamina suja de sangue esta dividindo o crânio dele. Puxo com força a espada para soltar do crânio dele, e grito, com força, ódio, raiva, uma agonia queima dentro de mim, ouço centenas de vozes em minha mente que gritam uma única palavra: “MATAR”.
Me dou conta que estou em um campo de batalha, a agua cai de forma torrencial, não é uma chuva natural, ela parece mágica, seus pingos ardem ao tocar em meu rosto, já senti esse chuva antes, minha visão esta turva devido a quantidade de água, mas identifico o campo de batalha, um imenso campo aberto, onde milhares de criaturas, humanos e animais lutam como uma guerra entre um formigueiro e outro, o chão é uma mistura fétida de lama, sangue e corpos que jazem mortos, no céu, flechas, pedras e relâmpagos explodem de um lado para o outro, sinto meu corpo arder, estou usando uma cota de malha, ela é leve, olho rapidamente por cima de meu ombro, e as vejo, asas, estou sonhando novamente? Antes de retornar desse pensamento, ouço um choque entre espadas a minhas costas, giro e vejo Nohahiel com sua espada bloqueando o golpe de um martelo que vinha em minha direção, por puro reflexo, estoco minha espada no estomago daquele que me ataca, e uma terceira espada o decapita por suas costas, quando o corpo cai, vejo quem o acertou, o anjo loiro, o mesmo que a alguns instantes estava na varanda de meu apartamento, ele sorri pra mim e grita:
– ABAIXE.
Obedeço sem nem ao menos terminar de ouvir a palavra, e vejo Nohahiel girar sua espada e dividir um lobo que saltou sobre mim ao meio, não ouve tempo nem sequer de ganir, caiu morto, ele riu e disse:
- Kaladriel, você já foi mais rápido – e soltou uma grande gargalhada
- Estou cansado salvando a vida de vocês desde o começo da batalha – e riu junto de nohahiel.
Kaladriel… o nome me soa familiar, como quando ouvi o de Nohahiel pela primeira vez, é como se eu os conhece a muito tempo, mas minha mente é uma confusão pura, consigo apenas sentir uma empolgação, uma adrenalina forte, se juntando a raiva e ao ódio, e então, sinto como se algo gelado e frio viesse e direção a minha cabeça, de baixo para cima, e eu soube que era uma espada que vinha para me matar, e como um instinto de sobrevivência, proferi duas palavras em uma língua que eu desconheço, e uma áurea negra me envolveu, foi como se ela brotasse do chão e toma-se todo meu corpo, senti a espada mais próxima e apenas levantei a minha para bloquear o golpe, me virei e vi um homem, em uma armadura fechada, de guerreiro medieval, gritando como se tivesse concentrado toda sua força para me matar, ri daquilo, e tive a sensação de pena, como se achasse aquilo patético demais para ser verdade, como um ser inferior daqueles ousou tentar me matar? E como se eu soubesse exatamente o que estava fazendo, levei minha mão esquerda na direção do peito do homem, ela parecia ser apenas uma fumaça negra, a mão fria de um espectro, atravessou então a armadura e senti-a atravessando a carne e pude segurar os ossos de suas costelas, ouve o homem gritar como se fosse dor mais insuportável do mundo, e tive a certeza de que era quando puxei minha mão de volta, trazendo todo esqueleto do homem, e deixando o corpo dele caído, transformado em uma bola de carne e ferro sem vida. Soltei o esqueleto e ele caiu ao lado do corpo, formando uma pilha de ossos ensaguentada. Eu era puro ódio, pura energia e derepente eu sabia o que estava fazendo, conhecia meus limites e sabia ultrapassa-los, olhei para os dois anjos, meus olhos brilhavam verdes, como duas esmeraldas refletindo os raios de sol de outono e sorri, e por isso Kaladriel falou:
- Você sempre tem que radicalizar não? – falou torcendo o nariz
- Eles não merecem nossa paciência, merecem? – respondi serio
Kaladriel riu alto enquanto estocava a espada em um lobo que saltava sobre nós, Nohahiel também ria, e embora estivéssemos em uma batalha matando e retalhando, percebi que nos divertíamos.
Mas nossos risos logo cessaram, pois vi centenas de criaturas aladas despontarem no céu, como cavaleiros do apocalipse atacando ao som de berrantes bestiais, eles voaram em nossa direção e baixo, me abaixei ao se aproximarem, escapando assim de um golpe em meu rosto, consegui então, ver que alguns eram cavalos alados brancos, como se fossem montarias de anjos celestiais, e outros cavalos alados negros, cuspindo fogo , como se fossem montarias de bestas infernais, todos eram montados por cavaleiros com armaduras e espadas, meros humanos, mas por causa da minha distração, um cavalo branco acertou o casco em minha cabeça durante um rasante me jogando longe, e antes de cair no chão, lembrei-me de algo que me fez sorrir como um bobo:

Eu sempre odiei cavalos.